O acesso cubital, uma alternativa a ser considerada

Título original: Transulnar versus transradial access for coronary angiography or percutaneous coronary intervention: A meta-analysis of randomized controlled trials. Khagendra Dahal. Et al. Catheterization and cardiovascular Intervention 2016:87;857-865

Gentileza do Dr. Carlos Fava.

O acesso radial (AR) demonstrou ser vantajoso sobre o femoral, mas existe muito pouca informação sobre o acesso cubital (AC), o qual poderia oferecer os mesmos benefícios sem a necessidade de realizar um cross-over à via femoral.

Foram incluídos 5 estudos randomizados com um total de 2.744 pacientes que foram submetidos a coronariografia ou angioplastia. Do total, utilizou-se o AC em 1.384 e o AR em 1.360.

O período de seguimento foi entre 30 dias e um ano.

O MACE foi similar entre os acessos (3,1% vs. 3,5%; RR 0,87, IC 95 0,56 a 1,36; p = 0,5), não houve diferença nas complicações relacionadas ao acesso (14,9% vs. 15,4%; RR 0,92 (0,67-1,27); p = 0,62) nem nas taxas de espasmo, estenose ou oclusão da artéria.

A presença de pseudoaneurisma, fístula ou injúria do nervo radial ou cubital foi muito pouco frequente e similar em ambos os grupos.

O AC apresentou maior cross-over e número de punções que o AR (14% vs. 3,8% p = 0,003 e 1,57 vs. 1,4 p = 0,0002, respectivamente). Não houve diferença no tempo necessário para a punção, tempo de fluoroscopia nem volume de contraste utilizado.

Conclusão
Nos pacientes que requerem coronariografia ou angioplastia, o acesso cubital comparado com o radial tem similar eficácia e segurança, exceto por uma maior taxa de punções e de cross-over a femoral.

Comentário editorial
Esta análise é muito encorajadora já que nos dá a oportunidade de contar com outro acesso para realizar nossos procedimentos de forma tão segura e efetiva quanto o AR.

A necessidade de maior número de punções e cross-over possivelmente tenham relação com o pouco uso deste acesso e com a curva de aprendizagem necessária, como ocorreu inicialmente com o AR.

Gentileza do Dr. Carlos Fava.
Cardiologista Intervencionista
Fundación Favaloro – Buenos Aires

Mais artigos deste autor

É necessário usar o IVUS de forma rotineira na angioplastia do tronco da coronária esquerda?

A angioplastia do tronco da coronária esquerda não protegido é um procedimento de grande complexidade devido ao amplo território miocárdico em risco e às...

Registros Dual-Prep: aterectomia e IVL em calcificação coronariana severa

A calcificação coronariana severa continua sendo um dos cenários mais complexos da angioplastia coronariana. Embora a aterectomia rotacional (AR) ou orbital e a litotripsia...

Heparina pré-hospitalar no SCACEST: uma estratégia segura que proporciona maior reperfusão precoce

A reperfusão precoce continua sendo o principal determinante prognóstico nos pacientes com infarto agudo do miocárdio com elevação do ST (SCACEST). Embora a angioplastia...

Rupturas de placa en artérias não culpadas: seguimento com imagens intravasculares

A ruptura de placa continua sendo um dos mecanismos fisiopatológicos mais importantes nas síndromes coronarianas agudas. No entanto, nem todas as rupturas se manifestam...

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here

Artigos Relacionados

Congressos SOLACIspot_img

Artigos Recentes

Técnica UNICORN para prevenir a obstrução coronariana durante o TAVI: resultados iniciais de um estudo multicêntrico

A obstrução coronariana é uma complicação pouco frequente, mas potencialmente catastrófica, do implante transcateter da valva aórtica (TAVI), especialmente em procedimentos valve-in-valve, TAV-in-TAV ou...

Espaço do Fellow – Caso 2: Infarto Agudo do Miocárdio por Oclusão Simultânea de Duas Artérias Coronárias

Compartilhe sua experiência. Aprenda com especialistas. Cresça como intervencionista. Chega uma nova edição do Cantinho do Fellow, um espaço de intercâmbio acadêmico criado para que...

Supera vs. Eluvia em lesões femorpoplíteas calcificadas com calcificação severa

A calcificação seveera continua sendo um dos principais preditores de reestenose e de necessidade de novas revascularizações após o tratamento endovascular da doença femoropoplítea....