Risco de infarto a futuro em síndromes coronárias agudas manejadas de maneira conservadora

Título original: Spontaneous MI After Non–ST-Segment Elevation Acute Coronary Syndrome Managed Without Revascularization. The TRILOGY ACS Trial. Referência: Renato D. Lopes et al. J Am Coll Cardiol. 2016;67(11):1289-1297.

 

Os pacientes que são admitidos cursando uma síndrome coronária aguda (SCA) e especialmente aqueles manejados de maneira conservadora e sem revascularização estão expostos a um alto risco de novo infarto espontâneo. No entanto, a taxa de tal risco e os preditores não são completamente conhecidos.

Este trabalho busca caracterizar a taxa de infarto agudo do miocárdio espontâneo em 30 dias em uma população que foi admitida cursando um SCA sem supradesnivelamento do segmento ST incluídos no estudo TRILOGY ACS (TaRgeted platelet Inhibition to cLarify the Optimal strateGy to medically manage Acute Coronary Syndromes) que randomizou pacientes a aspirina mais clopidogrel vs. aspirina mais prasugrel.

O trabalho incluiu 9.294 pacientes com infarto agudo de miocárdio sem elevação do segmento ST e angina instável que foram manejados medicamente sem revascularização.

Utilizou-se um modelo de risco Cox para determinar os preditores de infarto em 30 meses e após a validação do modelo se desenvolveu um calculador para sua implementação.

Entre os 9.294 pacientes manejados sem estratégia de revascularização se observaram 695 infartos espontâneos em uma média de 17 meses, o que representa 94% dos infartos adjudicados no estudo.

Os preditores mais fortes de risco de infarto foram a maior idade, infarto no ST vs. angina instável no evento índice, diabete, ausência de angiografia anterior à randomização e valores elevados de creatinina.

O modelo desenvolvido teve uma boa capacidade de discriminar e boa calibração (c-index = 0,732), especialmente para os pacientes de baixo e moderado risco de infarto espontâneo posterior.

Conclusão
O infarto agudo do miocárdio espontâneo após uma internação por SCA manejada medicamente é frequente. As características basais dos pacientes podem ser usadas para predizer o risco nessa população.

Estes achados dão informação da história natural a longo prazo dos pacientes manejados sem estratégia de revascularização.

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