Proteção cerebral em TAVR: os estudos que foram apresentados no London Valves

Proteção cerebral em TAVR

  • SENTINEL

Um dos novos dispositivos avaliados no London Valves foi o Sentinel, que consiste em dios filtros independentes. Um de maior tamanho, que se posicional no tronco braquiocefálico, e outro menor para a carótida esquerda. O estudo incluiu 22 pacientes e foi possível colocar o filtro em 20 deles (nos dois restantes não foi possível pela tortuosidade do tronco braquiocefálico).

 

Foram observados detritus macroscópicos nos filtros de 17 pacientes (77%), nenhum apresentou AVC ou acidente isquêmico transitório dentro das 48 horas após o procedimento, tampouco sangramentos ou complicações vasculares relacionadas ao filtro.

 

  • CLEAN TAVI

 

Um dos maiores trabalhos sobre proteção cerebral foi o CLEAN-TAVI, apresentado pela primeira vez no congresso TCT 2014, que continuou tendo novas análises e registros de dados. Aqueles pacientes que apresentaram AVC utilizando o dispositivo tiveram menor dano cerebral e um volume de novas imagens na ressonância menor que os que não o utilizaram.

 

  • DEFLECT III

Estes resultados são similares aos observados no estudo DEFLECT III, onde se observaram melhoras na cognição após o TAVR.

 

Provavelmente isto possa ser explicado por uma melhor fração de ejeção e uma melhor pressão de perfusão cerebral após o TAVR apesar das novas lesões da ressonância. O efeito destas novas lesões no longo prazo não está claro. No curto prazo, no entanto, muitos trabalhos as associaram ao delirium pós-procedimento.

 

Diminuir a taxa de delirium não é algo menor, já que este está associado a maior estadia hospitalar e maior mortalidade.

 

  • OTROS ESTUDOS

– Um estudo que incluiu 217 pacientes apresentado no EuroPCR mostrou detritus presos no filtro de 99% dos pacientes após o implante da válvula.

 

Apesar disso, o painel de especialistas no London Valves ressaltou permanentemente o fato de não haver um estudo com evidência definitiva que mostre a redução de eventos clínicos com os sistemas de proteção cerebral durante o TAVR. Usá-lo em todos os pacientes seria, sem sombra de dúvida, aumentar a complexidade e os custos do procedimento, mas ninguém sabe responder ainda quais seriam os pacientes adequados para estes dispositivos.

 

– Outro dos trabalhos relacionados com este tema tentou medir o efeito do TAVR sem proteção cerebral sobre as funções cognitivas utilizando uma bateria de testes como o mini metal, entre outros. O curioso foi que, a despeito das novas lesões isquêmicas na ressonância, os testes não mudaram seus resultados após 3 e 6 meses. Inclusive alguns pacientes melhoraram funções como a memória recente após o procedimento.

 

Título original: Cerebral Protection in TAVR: New Insights, New Questions as First Device Seeks FDA Approval.

Referência: PCR London Valves 2016. London, England.


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