Stents farmacoativos com plataforma absorvível: geram maior risco de trombose?

Gentileza do Dr. Leiva

Stents farmacoativos com plataforma absorvível: geram maior risco de trombose?Os stent farmacoativos com plataforma bioabsorvível (BVS) foram incorporados ao arsenal terapêutico para o tratamento endovascular da doença coronariana. Dados do estudo ABSORB III mostraram – com relação à revascularização da lesão alvo (TLR) em um ano – a não inferioridade deste tipo de stent em comparação com os stents farmacoativos com plataforma metálica eluidores de everolimus. No entanto, alguns relatórios mostraram um maior risco de trombose em comparação com os stents metálicos.

 

O estudo AIDA (Amsterdam Investigator-Initiated Absorb Strategy All-Comers Trial) é um estudo randomizado e multicêntrico que comparou ambas as plataformas de stents farmacoativos em uma população de pacientes que reflete a prática diária. Embora tenha recebido o apoio financeiro da Abott Vascular, o laboratório não teve nenhum papel no desenho do estudo, coleta e condução dos dados e análise estatística, assim como tampouco na redação do manuscrito e publicação do mesmo.

 

Foram incluídos pacientes com doença coronariana submetidos a uma angioplastia coronariana com uma ou mais lesões apropriadas para receber um stent farmacoativo. Ficaram excluídas as lesões com mais de 70 mm de comprimento, os vasos com menos de 2,5 mm ou com mais de 4,0 mm de diâmetro, lesões em bifurcação (nas quais a colocação de dois stents estava planificada de antemão) e a presença de reestenose intrastent.

 

O desfecho primário TVF (fracasso do vaso alvo) foi um desfecho combinado composto por morte cardíaca, infarto do miocárdio ou revascularização do vaso alvo. Também foram analisados desfechos secundários (morte por qualquer causa, infarto, todas as revascularizações e trombose do dispositivo).

 

Foi feita uma análise para avaliar a não inferioridade dos BVS em comparação com os stents metálicos. No mês de novembro de 2016, o comitê de coleta de dados e segurança recomendou realizar uma comunicação precoce dos resultados ao surgir preocupação quanto à segurança do estudo.

 

Em total foram incluídos 1.845 pacientes em 5 centros de alto volume dos Países Baixos (924 BVS – 921 stents metálicos), com uma mediana de seguimento de 707 dias.

 

Los resultados foram os seguintes:

  • Em 2 anos, não houve diferenças no desfecho primário (TVF) (Hazard ratio (HR) BVS 1,12; IC 95% 0,85-1,48; p = 0,43).
  • Mortalidade por causa cardíaca: BVS 2,0% – Bare stent: 2,7% (HR 0,78; IC 95% 0,42-1,44; p = 0,44).
  • Infarto do miocárdio relacionado com o vaso alvo: BVS 5,5% – Bare stent 3,2% (HR 1,6; IC 95% 1,01-2,53, p = 0,04).
  • Sem diferença em TVR e TLR entre ambos os dispositivos.
  • A taxa de trombose provável ou definitiva foi de 3,5% no BVS e de 0,9% no grupo stent metálico (HR 3,87; IC 95% 1,78-8,43; p<0,001).

 

Comentário:

Neste relatório preliminar, os resultados do estudo AIDA mostram que em dois anos não existe diferença no desfecho entre ambos os dispositivos. No entanto há uma maior taxa de trombose do stent no grupo BVS (3,5 vezes mais em comparação com os stents metálicos) e uma taxa de infarto do miocárdio significativamente maior.

 

Embora a causa desta maior incidência de trombose não esteja de todo especificada, a subexposição, má aposição, incompleta cobertura da lesão ou a espessura dos struts poderiam estar relacionados com este evento.

 

Como consequência deste achado, o comitê de segurança do estudo recomenda prolongar a dupla antiagregação para além de um ano naqueles pacientes que recebem um stent com plataforma bioabsorvível.

 

Falta avaliar se a modificação da maneira de realizar o implante dos stents com plataforma bioabsorvível poderá modificar a alta taxa de eventos observada com este dispositivo.

 

Gentileza do Dr. Leiva

 

Título Original e referência: Bioresorbable Scaffolds versus Metallic Stents in Routine PCI.AIDA Investigators. NEJM March 29; 2017.


Subscreva-se a nossa newsletter semanal

Receba resumos com os últimos artigos científicos

Sua opinião nos interessa. Pode deixar abaixo seu comentário, reflexão, pergunta ou o que desejar. Será mais que bem-vindo.

Mais artigos deste autor

Rupturas de placa en artérias não culpadas: seguimento com imagens intravasculares

A ruptura de placa continua sendo um dos mecanismos fisiopatológicos mais importantes nas síndromes coronarianas agudas. No entanto, nem todas as rupturas se manifestam...

OCT e placas de alto risco: um preditor fundamental de eventos recorrentes após um infarto do miocárdio

Após um infarto do miocárdio (IM), as lesões não culpadas costumam ser diferidas quando não apresentam limitação significativa do fluxo coronariano (FFR negativo). No...

Ticagrelor vs. clopidogrel em pacientes com SCA e ACOD após ICP: mais sangramento sem benefício isquêmico?

Em pacientes com síndrome coronariana aguda (SCA) que requerem anticoagulação oral direta (ACOD) e são submetidos a uma intervenção coronariana percutânea (ICP), os guias...

EuroPCR 2026 | É seguro suspender a aspirina a um mês em pacientes com infarto tratados com PCI? Análise do TARGET-FIRST

Este é um resumo da análise pós-hoc do estudo TARGET-FIRST, apresentado pelo Dr. Giuseppe Tarantini no EuroPCR 2026 sobre a interrupção precoce da aspirina...

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here

Artigos Relacionados

Congressos SOLACIspot_img

Artigos Recentes

Comunicado Institucional: A SOLACI expressa sua solidariedade ao povo da Venezuela

A Sociedade Latino-Americana de Cardiologia Intervencionista (SOLACI) expressa seu mais profundo pesar pelas consequências do terremoto que atingiu a Venezuela. Manifestamos nosso respeito e solidariedade...

Novas Estratégias Antitrombóticas: Elas Aumentam os Benefícios Clínicos?

      Pelo: Dr. Gustavo Olmedo F., FESC - FACC Departamento de cardiologia Hospital de Clínicas Importante: Os direitos de propriedade intelectual das apresentações e dos conteúdos disponibilizados neste site...

Indicações Atuais das Estatinas de Acordo com as Faixas Etárias e os Fatores de Risco Associados

    Por: Dr. Jorge Enrique Solano-López F.A.C.P Importante: Os direitos de propriedade intelectual das apresentações e dos conteúdos disponibilizados neste site pertencem aos seus respectivos titulares e/ou...