Desempenho da válvula Lotus em relação ao implante de marca-passo em pacientes Pós-TAVI

Gentileza do Dr. Agustín Vecchia.

A regurgitação paravalvar já foi vista como a maior desvantagem do TAVI em comparação com a cirurgia convencional. Atualmente, novos dispositivos e operadores mais experientes conseguiram “controlar” dito fenômeno e mantê-lo em números aceitáveis. Nesse sentido, a válvula reposicionável Lotus provavelmente seja a que oferece uma solução mais efetiva, mas com uma taxa de requerimentos de marca-passos alta se comparada com outros dispositivos.

Desempenho da válvula Lotus em relação ao implante de marca-passo em pacientes Pós-TAVI

O objetivo do presente trabalho foi avaliar a incidência de implante de marca-passos e fatores relacionados utilizando o dispositivo Lotus (Boston Scientific, Natick, Massachusetts). Analisaram-se de forma retrospectiva os dados de 228 pacientes entre março de 2013 e fevereiro de 2015 em 10 centros do Reino Unido. 27 pacientes (12%) tinham marca-passo colocado previamente, motivo pelo qual foram excluídos da análise.

 

A idade média foi de 81,2 +- 7,7 anos; 50,7% eram homens. Mais da metade da coorte (55%) desenvolveu novo bloqueio do ramo esquerdo (BRE) posterior ao procedimento.

 

32% dos pacientes requereu implante de marca-passos (MCP), com um tempo médio de colocação de 3 +- 3,4 dias. As principais indicações para a colocação foram: bloqueio AV (n = 46, 72%) e BRE com bloqueio AV de primeiro grau (n = 11, 17%).


Leia também: “REPRISE III: Lotus e CoreValve são medidos em pacientes de alto risco ou inoperáveis”.


Os eletrocardiogramas prévios ao procedimento daqueles pacientes que requereram MCP mostraram: sem alterações da condução (n = 41, 64%) BAV de primeiro grau (n = 10, 16%); bloqueio de ramo direito (n = 6, 9%) e BRE (n = 5, 8%).

 

As alterações da condução prévias ao procedimento estiveram independentemente associadas a um aumento na incidência de MCP (OR: 2,54; p = 0,048). A ausência de calcificação valvar aórtica também esteve associada a um aumento na incidência de MCP (OR: 0,55; p = 0,031).


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A análise multivariada não mostrou nenhuma associação independente entre a profundidade do implante, o oversizing ou a pós-dilatação com balão com a necessidade de MCP.

 

Comentário editorial

Não existe na atualidade uma resposta clara à pergunta de qual seria uma porcentagem aceitável de incidência de MCP pós-TAVI. Nesta série foi claramente superior à observada em outros trabalhos (32% vs. 10,2% SAPIEN III e 10% Evolut Pro), e não está claro se isso esteve associado ao dispositivo, ao operador ou às características dos pacientes.

 

Com relação aos preditores, diferentemente do que ocorreu em outras séries, chama a atenção a alta porcentagem de pacientes com requerimentos de MCP que não tinham alterações da condução prévias.

 

Finalmente, vale a pena recordar que a necessidade de MCP permanente não é algo que deva ser interpretado como trivial, já que aumenta os dias de internação, impede a melhora da fração de ejeção e em uma publicação (Nazif e col. JACC Interventions 2015) mostrou um aumento da mortalidade.

 

Gentileza do Dr. Agustín Vecchia.

 

Título original: Conduction Abnormalities and Permanent Pacemaker Implantation After Transcatheter Aortic Valve Replacement Using the Repositionable LOTUS Device. The United Kingdom Experience.

DOI: 10.1016/j.jcin.2017.03.044.


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