Doença coronariana em diabetes: os pacientes diabéticos têm uma progressão de placas muito maior

Os pacientes com diabetes mellitus experimentam uma significativa maior progressão de placas, especialmente as que têm características adversas. Ser homem e apresentar um volume basal de placa > 75% foi identificado como fator de risco independente para a progressão de ditas placas, especialmente este último fator, que triplicou o risco.

O objetivo deste trabalho com um seguimento tomográfico foi determinar a taxa e a extensão das placas coronarianas, como progridem, alterações em suas características e preditores clínicos de que isso pudesse ocorrer em pacientes diabéticos.

 

Foram analisados um total de 1.602 pacientes (idade 61,3 ± 9,0 anos; 60,3% homens), todos avaliados com uma angiotomografia coronariana em um período de pelo menos 24 meses e todos incluídos no estudo PARADIGM (Progression of Atherosclerotic Plaque Determined by Computed Tomographic Angiography Imaging).


Leia também: A diabetes silente é o novo inimigo oculto.


Os desfechos do estudo foram as mudanças nas características das placas e a progressão das mesmas em pacientes diabéticos em comparação com pacientes não diabéticos em sucessivas angiotomografías. Qualquer aumento do volume das placas entre o momento basal e o seguimento foi definido como progressão de placa.

 

A diabetes, como era de se esperar, foi catalogada como um fator de risco para progressão de placas (OR: 1,526; IC 95% 1,100 a 2,118; p = 0,011). As mudanças no volume das placas e no volume do core necrótico foram muito mais significativas em pacientes diabéticos.

 

Também foram mais frequentes em diabéticos a frequência de calcificação em nódulos, o remodelamento positivo e a frequência de placas volumosas e atenuadas (moles).


Leia também: A combinação de diabete e síndrome coronariana aguda interfere na estratégia de revascularização?


Os fatores de risco independente para a progressão de placas em pacientes diabéticos foram o sexo masculino (OR: 1,4; p = 0,048) e um volume de placa basal > 75% (OR: 3,1; p = 0,001).

 

O estudo PROSPECT (A prospective natural-history study of coronary atherosclerosis) publicado em 2011 no NEJM tinha incluído pacientes que se apresentavam com síndromes coronarianas agudas e, depois de resolver o problema da artéria culpada, todos os vasos eram avaliados com ultrassonografia (IVUS) com o intuito de encontrar pistas que pudessem predizer que as placas de vasos não culpados apresentariam eventos no futuro. Os resultados foram similares em pontos como o volume de placa, embora para o PROSPECT tenha sido a combinação de características (volume de placa mais um cap fibroso fino mais uma área luminal mínima < 4 mm2).

 

Ainda não pudemos encontrar características de risco para tratar de maneira profilática uma placa funcionalmente não significativa, embora tenhamos muitas pistas.

 

Conclusão

Os pacientes diabéticos têm uma progressão de placas muito maior, e isso é particularmente significativo naquelas placas com características adversas. O sexo masculino, mas fundamentalmente um volume de placa basal > 75% foram preditores independentes de progressão.

 

Título original: Atherosclerosis by Quantitative Measurement of Serial Coronary Computed Tomographic Angiography Results of the PARADIGM Study (Progression of Atherosclerotic Plaque Determined by Computed Tomographic Angiography Imaging).

Referência: Ung Kim et al. J Am Coll Cardiol Img 2018, online before print.


Subscreva-se a nossa newsletter semanal

Receba resumos com os últimos artigos científicos

Sua opinião nos interessa. Pode deixar abaixo seu comentário, reflexão, pergunta ou o que desejar. Será mais que bem-vindo.

Mais artigos deste autor

Rupturas de placa en artérias não culpadas: seguimento com imagens intravasculares

A ruptura de placa continua sendo um dos mecanismos fisiopatológicos mais importantes nas síndromes coronarianas agudas. No entanto, nem todas as rupturas se manifestam...

OCT e placas de alto risco: um preditor fundamental de eventos recorrentes após um infarto do miocárdio

Após um infarto do miocárdio (IM), as lesões não culpadas costumam ser diferidas quando não apresentam limitação significativa do fluxo coronariano (FFR negativo). No...

Ticagrelor vs. clopidogrel em pacientes com SCA e ACOD após ICP: mais sangramento sem benefício isquêmico?

Em pacientes com síndrome coronariana aguda (SCA) que requerem anticoagulação oral direta (ACOD) e são submetidos a uma intervenção coronariana percutânea (ICP), os guias...

EuroPCR 2026 | É seguro suspender a aspirina a um mês em pacientes com infarto tratados com PCI? Análise do TARGET-FIRST

Este é um resumo da análise pós-hoc do estudo TARGET-FIRST, apresentado pelo Dr. Giuseppe Tarantini no EuroPCR 2026 sobre a interrupção precoce da aspirina...

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here

Artigos Relacionados

Congressos SOLACIspot_img

Artigos Recentes

Programa SPYRAL: resultados do seguimento de 3 anos de pacientes tratados com denervação renal

A hipertensão arterial constitui o principal fator de risco modificável para a doença cardiovascular e continua representando um importante desafio para a saúde pública...

Obstrução coronariana no TAVI: um novo índice volumétrico a ser considerado

A obstrução coronariana durante o TAVI é uma complicação pouco frequente, mas potencialmente devastadora, especialmente em procedimentos valve-in-valve, em anatomias com seios de Valsalva...

Espaço do Fellow – Caso 2: Infarto Agudo do Miocárdio por Oclusão Simultânea de Duas Artérias Coronárias

Compartilhe sua experiência. Aprenda com especialistas. Cresça como intervencionista. Chega uma nova edição do Cantinho do Fellow, um espaço de intercâmbio acadêmico criado para que...