Segurança dos programas de vigilância de Aneurismas de Aorta Abdominal

A taxa de ruptura de aneurismas de aorta abdominal (AAA) no registro do Reino Unido respalda os atuais programas de vigilância e intervenção e dão tranquilidade a alguns médicos que em algum momento se questionaram se os programas de vigilância assim como estavam formulados não levavam a mais rupturas. Este trabalho também respalda os pontos de corte para realizar intervenções nos pacientes.

El tratamiento endovascular parece superior a la cirugía en aneurismas rotosO instituto de segurança de saúde da Inglaterra (UK National Health Services) colocou em marcha em 2009 um programa nacional de AAA no qual todos os homens de mais de 65 anos eram elegíveis para triagem. Aqueles com aneurismas de 5,5 cm ou mais foram enviados a uma consulta com o cirurgião vascular ao passo que aqueles com aneurisma menores foram convidados a realizar um seguimento regular com ultrassom.

 

Os guias para o tratamento de aneurismas de aorta abdominal foram publicados em 2003 e estimaram que o risco de ruptura de um AAA que mede entre 5 e 5,9 cm era entre 3 e 15%. Os guias mais recentes estimaram o risco de ruptura em 1% por ano para os aneurismas com menos de 5,5 cm.


Leia também: Várias características definem um colo hostil em aneurisma de aorta abdominal mas uma delas faz toda a diferença.


Este trabalho analisou mais 18.000 homens entre 2009 e 2017, que foram convidados a participar do programa de seguimento e tinham no momento da entrada ao mesmo, um AAA com mais de 3 cm mas com menos de 5,5 cm. O estudo não incluiu mulheres, já que nelas a incidência de AAA é muito baixa.

 

Durante o período de seguimento, uns 1.763 pacientes alcançaram medidas de 5,5 cm ou mais e foram encaminhados a um especialista em patologia vascular periférica para seu tratamento definitivo. Aproximadamente 83 pacientes com aneurismas menores também foram enviados ao especialista vascular com base nos sintomas, rápido crescimento ou outros sinais de alarme. Finalmente, 31 pacientes evoluíram com ruptura do aneurisma, dentre os quais 29 faleceram.

 

Estes números levam-nos a estimar o risco em 1 por cada 100 pacientes/ano para todos os diâmetros abaixo de 5,5 cm.


Leia também: Risco de isquemia colônica após a reparação de aneurisma de aorta abdominal.


O risco tem clara relação com o diâmetro: vai de 0,03% para os aneurismas menores (entre 3 e 4,4 cm) a 0,4% para aqueles que têm medidas justo abaixo do ponto de corte (5,0 a 5,4 cm).

 

Devido ao fato de o risco de ruptura nesta coorte ser tão baixo, pode-se concluir que o programa de seguimento é seguro.

 

Título original: Safety of men with small and medium abdominal aortic aneurysms under surveillance in the national health service screening program.

Referência: Oliver-Williams C et al. Circulation. 2019; Epub ahead of print.


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