Experiência de 5 anos ocluindo o apêndice atrial esquerdo: mais evidência que não se traduz à prática clínica

O uso da oclusão percutânea do apêndice atrial esquerdo cresceu 3,6 vezes entre 2011 e 2015 sem que este aumento do volume se traduzisse em um aumento significativo dos eventos intra-hospitalares nesta população do “mundo real” da Alemanha. A pergunta que surge é: a Alemanha pode ser considerada o “mundo real” para a América Latina? Porque a verdade é que em nossas latitudes a técnica parece não ter aumentado em volume, seja pelos custos, seja por falta de encaminhamento dos médicos clínicos aos intervencionistas.

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Para os alemães os preditores mais significativos de mortalidade intra-hospitalar foram a falha renal aguda, o derrame pericárdico e um AVC isquêmico periprocedimento.

A segurança da oclusão percutânea do apêndice atrial esquerdo foi demonstrada em vários trabalhos randomizados e em estudos prospectivos de coorte, mas faltavam dados de um grande número de pacientes da prática clínica diária (pelo menos na Alemanha).

Em total foram incluídos e analisados 15.895 pacientes entre 2011 e 2015. O número anual de procedimentos aumentou de 1.347 em 2011 para 4.932 (quase quatro vezes mais) em 2015. Este aumento foi muito significativo (p < 0,001).


LeIa também: Resultados do seguimento de 5 anos da oclusão do apêndice atrial esquerdo.


As características dos pacientes foram se modificando ao longo do tempo, sendo que nos procedimentos mais recentes eles apresentam maior idade e prevalência de comorbidades como insuficiência cardíaca, doença pulmonar obstrutiva crônica e insuficiência renal crônica.

Os preditores independentes mais importantes de mortalidade intra-hospitalar foram câncer (OR: 2,49), insuficiência cardíaca (OR: 2,42), AVC (OR: 5,39), insuficiência renal aguda (OR: 13,28), derrame pericárdico (OR: 5,65) e choque cardiogênico (OR: 45,11). É chamativo o fato de haver uma prevalência tão alta de insuficiência renal aguda em um procedimento que utiliza tão pouco contraste e, por outro lado, não surpreende em absoluto o aumento da mortalidade nos pacientes com choque cardiogênico, embora seja certo que nenhum de nós pensaria em ocluir um apêndice atrial esquerdo em dito contexto.

Conclusão

A oclusão do apêndice atrial esquerdo se incrementou umas 3,6 vezes entre 2011 e 2015, com uma tendência não significativa de aumento da mortalidade no contexto do tratamento de pacientes mais doentes. Os preditores mais significativos de morte intra-hospitalar foram a insuficiência renal aguda, o derrame pericárdico e o AVC periprocedimento.

Título original: 5-Year Experience of In-HospitalOutcomes After Percutaneous Left Atrial Appendage Closure in Germany.

Referência: Lukas Hobohm et al. J Am Coll Cardiol Intv 2019;12:1044–52.


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