Exerce o polímero alguma função nos stents farmacológicos?

O fato de o polímero poder se degradar após a eluição da droga parece uma hipótese interessante quando há alguma evidência de que esse pode produzir inflamação (fundamentalmente infiltração de eosinófilos) com as possíveis consequência de tal fenômeno. No entanto, as teorias aparentemente perfeitas muitas vezes se chocam contra a parede da realidade, e a discussão sobre os polímeros parece ser um desses casos. 

Zotarolimus con polímero permanente vs. biolimus con polímero degradable

Este artigo que proximamente será publicado no J Am Coll Cardiol Intv incluiu 7.042 pacientes consecutivos da prática clínica diária e não pôde demonstrar diferenças entre os dispositivos com polímero permanente e os dispositivos com polímero reabsorvível em um seguimento de 12 meses. De fato, observou-se uma maior trombose aguda com o polímero degradável, evento que se equiparou em um ano com os dispositivos com polímero permanente. 

O objetivo do estudo foi comparar a segurança e a eficácia do stent com struts finos, polímero degradável e eluidor de everolimus (Synergy) com o stent de struts finos, polímero permanente e eluidor de everolimus (Xience) em uma população sem praticamente critérios de exclusão. 


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Entre 2012 e 2016 foram tratados 3.870 pacientes exclusivamente com um tipo de stent (2.527 com o Xience e 1.343 com o Synergy). Utilizou-se propensity score para emparelhar as diferenças nas características basais, ficando 1.041 pacientes para cada ramo. O desfecho primário foi uma combinação de morte cardíaca, infarto relacionado com o vaso tratado e revascularização da lesão alvo em um ano. 

O desfecho combinado foi similar entre os dois ramos (7,8% para o Synergy vs. 7,1% para o Xience; p = 0,49). Também foram similares os componentes do desfecho primário por separado (morte cardíaca 3% vs. 3%, infarto relacionado com o vaso 3,6% vs. 3,1% e revascularização da lesão 3% vs. 2,5%; nenhuma diferença foi significativa). 

A taxa de trombose aguda foi significativamente maior para o Synergy (1,2% vs. 0,3%; p = 0,032). Em 12 meses a taxa de trombose definitiva foi similar (1,5% para o Synergy vs. 0,9% para o Xience; p = 0,22).

Conclusão

Nesta população consecutiva que reflete a prática clínica diária não foram observadas diferenças entre o stent com polímero reabsorvível e o stent com polímero permanente em um ano de seguimento. A maior taxa de trombose aguda com o polímero degradável se equiparou no final do seguimento. 

Título original: Everolimus-Eluting Biodegradable Polymer Versus Everolimus-Eluting Durable Polymer Stent for Coronary Revascularization in Routine Clinical Practice.

Referência: Christian Zanchin et al. J Am Coll Cardiol Intv 2019, Article in press.


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