Bebidas artificialmente adoçadas e risco d e Alzheimer

As bebidas artificialmente adoçadas (com diferentes tipos de adoçantes) poderiam ser responsáveis pelo aumento do risco de doenças cerebrovasculares e até quase o triplo de risco de ocorrência de demência por doença de Alzheimer. 

Bebidas azucaradas y con edulcorante asociadas a eventos cardiovasculares y mortalidad

Tanto as bebidas açucaradas quanto as artificialmente adoçadas se associaram a risco cardiometabólico, doença cerebrovascular e demência. Este trabalho avaliou prospectivamente o consumo de bebidas (açucaradas e adoçadas artificialmente) e sua relação com os eventos antes mencionados na comunidade de Framingham. 

Por um lado, 2.888 participantes de mais de 45 anos foram estudados para ver a incidência de acidente vascular cerebral e, por outro, 1.484 de mais de 60 anos para ver a incidência de demência. 


Leia também: Bebidas açucaradas e com adoçante associadas a eventos cardiovasculares e mortalidade.


A quantidade de bebidas consumidas foi medida com a utilização de diferentes questionários específicos considerando tanto o consumo recente quanto a média acumulada nos 10 anos de seguimento do trabalho.

Após ajustar por idade, sexo, nível de educação (para analisar a demência), consumo de calorias, qualidade da dieta, atividade física e hábito tabagístico observou-se que tanto um alto consumo recente como um alto consumo acumulado aumentaram o risco de acidente vascular cerebral, qualquer demência e demência por doença de Alzheimer. 

Quando a comparação é feita com um consumo igual a zero (como referência) o risco das bebidas artificialmente adoçadas foi de quase o triplo tanto para acidentes vasculares cerebrais (HR 2,96; IC 95%: 1,26 a 6,97) como para demência de Alzheimer (HR 2,89; IC 95%: 1,18 a 7,07). 


Leia também: Pela primeira vez são publicadas diretrizes de prevenção primária: seriam úteis para todos os pacientes?


As bebidas adoçadas com açúcar natural não se associaram a acidente vascular cerebral ou demência. 

Toda esta informação é contraditória e há outros trabalhos com resultados literalmente opostos. O problema é a impossibilidade de randomizar e, mesmo fazendo-se múltiplos ajustes, sempre podem existir variáveis que fujam ao controle. Um exemplo seria que a população com maior risco de eventos (obesidade e diabetes) consumam mais bebidas artificialmente adoçadas e que consequentemente as bebidas não sejam a causa dos eventos mais sim o risco basal da população. 

Título original: Sugar- and Artificially Sweetened Beverages and the Risks of Incident Stroke and Dementia. A Prospective Cohort Study.

Referência: Matthew P. Pase et al. Stroke. 2017;48:1139-1146.


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