Balões farmacológicos em território infrapatelar: muito barulho por nada.

A revascularização das artérias tibiais em pacientes com isquemia crítica de membros inferiores utilizando balões farmacológicos vs. angioplastia convencional mostrou resultados comparáveis a longo prazo, tanto em termos de eficiência quanto de segurança. 

Los balones farmacológicos pasaron la prueba del tiempo en territorio femoropoplíteo

A exposição ao paclitaxel não se relacionou com um aumento do risco de amputação ou mortalidade por qualquer causa em 5 anos (esta é a boa notícia para os questionados balões farmacológicos). O problema é que, no território infrapatelar, não mostraram maior eficácia que a angioplastia convencional e sim um significativo aumento dos custos

O IN.PACT DEEP foi um estudo prospectivo, randomizado e multicêntrico que incluiu 358 pacientes com isquemia crítica de membros inferiores. 


Leia também: Outro “escândalo” na medicina baseada em evidência: o monitoramento ambulatorial está em questionamento?


Em 5 anos de seguimento a liberdade de revascularização justificada pela clínica foi de 70,9% vs. 76% e o desfecho combinado de segurança (revascularização, amputação e mortalidade por qualquer causa) foi de 59,8% e de 57,5% para os balões farmacológicos vs. os convencionais, respectivamente. 

Foi feita uma análise específica no que se refere à mortalidade, dados os questionamentos que surgiram nos últimos tempos. O paclitaxel não se associou à mortalidade em nenhum tercil de dose. 

Conclusão

Os balões eluidores de paclitaxel e os balões convencionais para a angioplastia infrapatelar em pacientes com isquemia crítica foram comparáveis a longo prazo em termos de segurança e eficácia. Não foi observada associação entre o paclitaxel e o risco de amputação ou morte em 5 anos. 

Título original: The IN.PACT DEEP Clinical Drug-Coated Balloon Trial 5-Year Outcomes.

Referência: Thomas Zeller et al.  J Am Coll Cardiol Intv 2020;13:431–43.


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