Resultados da vacina Sputinik V contra a COVID-19

A vacina Sputnik V criada pelo Instituto Gamaleya tem como plataforma um vetor similar à de Oxford/AstraZeneca e, tal como ocorreu com esta última, seus resultados também foram publicados no Lancet

Resultados de la vacuna Sputnik V contra el COVID-19

Na vacina russa trata-se de dois adenovírus diferentes na primeira e segunda dose. Isso a tornaria mais efetiva e com uma resposta imune mais prolongada. 

Ambos os vetores contêm o gene para a proteína completa de superfície do vírus (spike). Seus maiores concorrentes (Moderna e Pfizer/ BioNTech) se baseiam em modificações do RNA dentro de lipossomas por nanotecnologia. Com diferenças no vetor, todas contêm a informação genética que codifica para a proteína de superfície do vírus. 

Outro grupo de vacinas mais tradicionais das quais esperamos informação são as de vírus inativados como as chinesas SinoVac e Sinopharm. Ambas possuem vantagens em termos de custo, logística e capacidade de produção, mas também têm interrogantes no que se refere à eficácia. 

Todos os participantes tinham mais de 18 anos e com critérios de exclusão bastante mais rígidos que no protocolo do estudo da Pfizer. Síndromes coronarianas agudas ou AVCs no ano anterior, HIV, hepatite B ou C e o consumo de drogas ou álcool foram critérios de exclusão somados aos clássicos relacionados à imunossupressão. 


Leia também: Segurança e eficácia da vacina da Pfizer / BioNTech contra a COVID-19.


Além disso, os participantes deviam contar com PCR e teste com IgM e IgG negativos antes do recrutamento. Foram randomizados 3:1 (os outros protocolos randomizaram 1:1) a receber vacina ou placebo, estratificando a população por idade. Todos foram cegos para o tratamento recebido. 

A primeira dose de 0,5 ml (rAd26) foi administrada por via intramuscular e uma segunda dose com um vetor diferente (rAd5) foi administrada 21 dias depois. Ambos os vetores adenovirais continham o genoma da glicoproteína de superfície do SARS-CoV-2.

O desfecho primário foi a proporção de pacientes com PCR que confirmasse a infecção por COVID-19 21 dias após a primeira dose. Contudo, no protocolo foram excluídos da análise de eficácia aqueles pacientes que não tinham recebido o esquema completo. 

No que à segurança se refere, com uma dose foi suficiente para estar incluído na análise. 


Leia também: Eficácia da vacina da Moderna contra a COVID-19.


21.977 participantes foram randomizados a vacina (n = 16.501) ou placebo (n = 5476). Um total de 19.866 receberam ambas as doses da vacina e foram incluídos na análise de desfecho primário de eficácia. 

21 dias após a inoculação da primeira dose (no momento de receber a segunda) foram confirmados 16/16.501 pacientes infectados no grupo vacina vs. 62/5476 no grupo placebo, o que resulta em uma eficácia de 91,6%. 

94% dos eventos relatados foram leves. Os eventos sérios foram de 0,3% e 0,4% no grupo vacina e placebo, respectivamente, motivo pelo qual resultam idênticos. Um comitê independente considerou que nenhum dos eventos sérios se relacionavam à vacina.  

Com aproximadamente 10% de pacientes entre os 18 e 30 anos e uma porcentagem similar em maiores de 60 anos é difícil interpretar a eficácia nesses subgrupos etários


Leia também: Eficácia da vacina da AstraZeneca contra a COVID-19.


A eficácia da vacina 14 dias após a primeira dose foi de 87,6%, mas só foram analisados os participantes que receberam ambas as doses. Uma semana depois da aplicação da segunda dose a eficácia chegou a 91,1%. 

Nenhum paciente apresentou infecção severa no grupo vacina, o que equivale a uma eficácia de 100% nesse sentido. 

As curvas começam a se separar a partir dos 20 dias após a primeira dose. É interessante o dado de que na maioria dos casos de participantes que adoeceram no grupo vacina, o acometimento ocorreu com o esquema completo. 

Conclusão

Esta análise interina do estudo em fase III do Gam-COVID-Vac que analisou a vacina Sputinik V produzida pelo Instituto Gamaleya mostrou uma eficácia de 91,6% e foi muito bem tolerada

Título original: Safety and efficacy of an rAd26 and rAd5 vector-based heterologous prime-boost COVID-19 vaccine: an interim analysis of a randomised controlled phase 3 trial in Russia.

Referência: Denis Y Logunov et al. Lancet. 2021 Feb 2;S0140-6736(21)00234-8. doi: 10.1016/S0140-6736(21)00234-8. 


Subscreva-se a nossa newsletter semanal

Receba resumos com os últimos artigos científicos

Mais artigos deste autor

Vale a pena a 3ª dose contra a COVID-19 para todas as idades?

A resposta é contundente: sim, vale a pena. Em todas as faixas etárias estudadas a taxa de confirmados para COVID-19 e doentes severos foi...

Eficácia da 3ª dose da Pfizer contra a Ômicron

A vacina BNT162b2 (Pfizer/BioNTech) demonstrou previamente 95% de eficácia contra a infecção por COVID-19. Esta eficácia foi variando com o surgimento das diferentes variantes...

A variante Ômicron coloca novamente os sistemas de saúde no limite, mas com esperanças

A última variante de importância da COVID-19, a cepa Ômicron, está novamente colocando o sistema mundial de saúde à beira do colapso, superando 300...

Os artigos mais lidos de 2021 | COVID-19

Mais um chega ao fim e a SOLACI propõe repassar os trabalhos mais lidos da nossa web em um tópico muito importante, que é...

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here

Artigos Relacionados

Congressos SOLACIspot_img

Artigos Recentes

Obstrução coronariana no TAVI: um novo índice volumétrico a ser considerado

A obstrução coronariana durante o TAVI é uma complicação pouco frequente, mas potencialmente devastadora, especialmente em procedimentos valve-in-valve, em anatomias com seios de Valsalva...

Espaço do Fellow – Caso 2: Infarto Agudo do Miocárdio por Oclusão Simultânea de Duas Artérias Coronárias

Compartilhe sua experiência. Aprenda com especialistas. Cresça como intervencionista. Chega uma nova edição do Cantinho do Fellow, um espaço de intercâmbio acadêmico criado para que...

EARLY TAVR: impacto da idade nos resultados do TAVI precoce em pacientes assintomáticos

A estenose aórtica severa assintomática representa um desafio clínico cada vez mais frequente. Embora as diretrizes recomendem intervir quando aparecem sintomas ou deterioração da...