REVERSE-IT: o bentracimab e os avanços em relação ao antídoto do ticagrelor em situações de urgência

A otimização do regime antiplaquetário posterior a uma síndrome coronariana aguda (SCA) tem como finalidade a redução dos MACE gerados pela patologia aterosclerótica. 

REVERSE-IT: Bentracimab: avances sobre el antídoto del ticagrelor en situaciones de urgencia

O ticagrelor é um potente inibidor P2Y12, que atua impedindo a ativação plaquetária de maneira direta. Caracteriza-se por apresentar um início de ação rápido e consistente ao longo de sua administração (duas vezes ao dia) e com efeitos pleitrópicos demonstrados, o que lhe confere eficácia como antitrombótico, anti-inflamatório e vasodilatador. 

Essas características demonstram seu benefício clínico no tratamento da SCA, bem como do AVC. 

A grande limitação que apresentam esses potentes antiplaquetários é o risco de sangramento durante uma cirurgia/procedimento de emergência, e o risco de hemorragia espontânea. Diferentemente dos antiplaquetários irreversíveis como a aspirina, o clopidogrel e o Prasugrel, o ticagrelor apresenta uma união reversível do receptor P2Y12, motivo pelo qual, se o que se necessita é reverter seu efeito com uma eventual transfusão de plaquetas, não se contaria com benefício em dito cenário. 

O bentracimab é um anticorpo recombinante monoclonal que se une ao ticagrelor e a seu metabólito circulante ativo com grande afinidade e especificidade, tendo mostrado segurança e eficácia em estudos de fase I e de fase II. 

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O objetivo deste ensaio (REVERSE-IT) aberto, multicêntrico, de apenas um ramo e atualmente em andamento, é estudar a capacidade de reverter o efeito do ticagrelor com o uso do bentracimab em pacientes que precisem ser submetidos a uma cirurgia urgente ou que tenham um evento de sangramento maior. 

Nesta análise provisional, recentemente publicada no NEJM evidence, foram randomizados 150 pacientes que se encontravam em tratamento com ticagrelor na Europa e nos EUA, dentre os quais 142 precisaram ser submetidos a uma intervenção de urgência e 8 apresentaram sangramento maior. 

Foi-lhes administrado um bólus de 6 g seguido de uma carga de 6 g em quatro horas e finalmente uma manutenção de 6 g em 12 horas. Foram levados em consideração desfechos de eficácia como a determinação da mínima porcentagem de inibição P2Y12 (PRU) e o alcance de hemostasia clínica efetiva. 

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Evidenciou-se uma diminuição significativa do PRU (135%) na redução da inibição plaquetária após a administração de bentracimab (p < 0,001). A proporção de pacientes que alcançou hemostasia efetiva (98,4%) foi significativamente maior que o esperado naqueles pacientes que não receberam o fármaco (p < 0,001). 

5,3% apresentaram eventos trombóticos que obrigaram a reiniciar o uso do ticagrelor. Foram registradas complicações relacionadas com o procedimento/intervenção base, sem que se observasse efeitos adversos como alergia ou reações anafiláticas relacionadas com a infusão. 

Conclusões

O sangramento associado ao uso de antiagregantes plaquetários aumenta consideravelmente a mortalidade, com requerimento de internações e necessidade de hemoderivados. E, como se observa na prática diária, não é pouco frequente a necessidade de algum tipo de intervenção invasiva enquanto um paciente se encontra em tratamento antiagregante.  

Os dados desta análise provisional do REVERSE-IT demonstram que o tratamento com bentracimab é efetivo para alcançar hemostasia de maneira rápida, com um perfil de segurança aceitável (sem reações alérgicas ou relacionadas com a infusão e com baixo número de eventos trombóticos). 

Fica por ser definido o seu efeito definitivo por meio uma maior inclusão de pacientes e um seguimento maior. Porém, sem sombra de dúvida, estes resultados são alentadores. 

Dr. Omar Tupayachi

Dr. Omar Tupayachi.
Membro do Conselho Editorial da SOLACI.org.

Título Original: Bhatt Deepak L, et al. Bentracimab for Ticagrelor Reversal in Patients Undergoing Urgent Surgery. NEJM Evid 2022; 1 (3).

Referência: https://evidence.nejm.org/doi/10.1056/EVIDoa2100047.


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