Disfunção microvascular em pacientes sintomáticos com lesões coronarianas intermediárias. Impacto prognóstico segundo os diferentes padrões

A doença coronariana microvascular (CMD) está emergindo como uma importante causa de isquemia miocárdica, e o seu papel na patogênese da doença cardiovascular é bem conhecido, inclusive no âmbito dos pacientes com angina com lesões coronarianas não obstrutivas. 

Disfunción microvascular en pacientes sintomáticos con lesiones coronarias intermedias

Na atualidade contamos com várias definições de CMD, bem como inúmeros teste diagnósticos, sejam eles invasivos sejam não invasivos. Nos testes invasivos é possível classificar padrões heterogêneos de disfunção microvascular tais como a reserva de fluxo coronariano (CFR) e o índice de resistência microvascular (IMR). Os critérios diagnósticos utilizados nos estudos requerem mais evidência que permita avaliar a relação do CMD com o prognóstico a longo prazo. 

O objetivo deste estudo retrospectivo foi comparar o impacto prognóstico segundo os diferentes padrões de CMD (CFR e IMR) em pacientes com suspeita de isquemia miocárdica. 

O desfecho primário (DP) foi definido como morte cardiovascular e hospitalização por insuficiência cardíaca. O desfecho secundário incluiu os componentes individuais do DP. 

Segundo os índices fisiológicos invasivos, a classificação foi determinada em grupos (CFR < 2,5, IMR ≥ 25): Grupo 1 (G1): CFR conservado, IMR bajo; Grupo 2 (G2): CFR conservado, IMR aumentado; Grupo 3 (G3): CFR diminuído, IMR bajo; Grupo 4 (G4): CFR diminuído, IMR aumentado. 

Leia também: Revascularização do tronco da coronária esquerda: registro de 12 anos no Canadá.

Foram analisados pacientes do registro Prognostic Impact of Cardiac Diastolic Function and Coronary Microvascular Function. De um total de 533 pacientes, 375 apresentavam lesões intermediárias mas não significativas (FFR > 0,80). A idade média foi de 60 anos e a maioria da população esteve composta por homens. A forma de apresentação clínica mais frequente foi a angina crônica estável. A maioria dos pacientes se encontrava no G1 (49,6%), seguido de G3 (19,5%), G4 (18,5%) e G2 (12,5%). Mais da metade dos pacientes apresentavam função ventricular conservada e a maioria não apresentava disfunção diastólica. A artéria coronariana mais avaliada foi a descendente anterior e o FFR médio foi de 0,89. 

No que se refere aos resultados, a média de seguimento foi de 3,5 anos. A incidência acumulada do DP foi significativamente diferente entre os 4 grupos: G1, 20,1%; G2, 18,8%; G3, 33,9%; G4, 45,0%; p < 0,001. Além disso, houve diferenças significativas entre os grupos ao analisar os componentes individuais do DP (p < 0,001). O CFR diminuído apresentou significativamente maior risco de DP em comparação com o CFR conservado, com IMR baixo ou aumentado. Ao contrário, não houve diferença significativa em termos de risco do DP entre IMR baixo e aumentado nos grupos com CFR conservado. 

Conclusão 

Entre os pacientes com suspeita de cardiopatia isquêmica crônica que apresentavam lesões coronarianas intermediárias mas funcionalmente não significativas, a diminuição de CFR se associou a um maior risco de morte cardiovascular e hospitalização por insuficiência cardíaca. No entanto, o IMR apresentou um valor prognóstico limitado em tais pacientes. 

Dr. Andrés Rodríguez

Dr. Andrés Rodríguez.
Membro do Conselho Editorial da SOLACI.org.

Título Original: Prognostic Impact of Coronary Microvascular Dysfunction According to Different Patterns by. Invasive Physiologic Indexes in Symptomatic Patients With Intermediate Coronary Stenosis.

Referência: David Hong et al Circ Cardiovasc Interv. 2023;16:e012621.


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