Modelos europeos de telemedicina, como el servicio finlandés Medilux, permiten realizar consultas médicas online mediante un cuestionario clínico, sin acudir a una consulta presencial.

Denervação renal, evolução em seguimento de 24 meses

A hipertensão arterial é uma doença muito frequente e, em geral, controlável. Contudo, como sabemos, associa-se a eventos cardiovasculares. 

Embora disponhamos, no arsenal terapêutico, de diversas drogas e combinações, em muitas ocasiões não é possível conseguir um controle adequado ou é necessário o uso de dois ou três fármacos. 

A denervação renal (RDN) demonstrou ser efetiva na redução da pressão arterial em distintos estudos, embora persistam questões importantes a elucidar, como sua durabilidade e se realmente oferece benefícios em comparação com o tratamento convencional. 

Foi feita uma análise do estudo SPYRAL HTN-ON MED (ensaio randomizado com grupo controle), que incluiu 337 pacientes com hipertensão tratados com entre 1 e 3 fármacos sem conseguir um controle adequado, definido como uma pressão arterial (PA) sistólica em consultório > 150 mmHg e ≤ 180 mmHg e uma diastólica ≥ 90 mmHg, ou uma PA sistólica ambulatorial de 24 horas (MAPA) > 140 mmHg e ≤ 170 mmHg. Dentre eles, 206 foram submetidos a RDN. 

Read also: Litotripcia intravascular versus aterectomia rotacional para lesões coronarianas calcificadas.

Os grupos foram comparáveis: a média de medicamentos anti-hipertensivos foi de 1,8 no grupo RDN e de 1,7 no grupo controle (GC); a idade média foi de 55 anos; 80% da população esteve composta por homens; os antecedentes incluíam doença coronariana em 6% e AVC ou AIT em 1%; a função renal estava conservada. A PA em consultório foi de 163/101 mmHg e em termos de MAPA de 149/96 mmHg. 

Em 6 meses foi permitido o cruzamento de grupos (crossover), sendo 66 pacientes submetidos a RDN. 

Em 24 meses, os pacientes submetidos a RDN apresentavam uma redução significativa da PA sistólica em termos de MAPA (−12,1 ± 15,3 mmHg [n = 176] vs. −7,0 ± 13,1 mmHg [n = 33]; diferença: −5,7 mmHg; P = 0,039) e no consultório (−17,4 ± 16,1 mmHg [n = 187] vs. −9,0 ± 19,4 mmHg [n = 35]; diferença: −8,7 mmHg; P = 0,0034) em comparação com o GC. Além disso, o incremento no número de drogas anti-hipertensivas foi maior no GC em comparação com o grupo RDN (1,7–2,7 vs. 1,8–2,8; P = 0,046).

Read also: É hora de abandonar a aspirina após a ATC em pacientes com alto risco de sangramento? Uma análise crítica do estudo STOPDATP-3.

Os pacientes que realizaram o crossover também apresentaram uma melhora significativa da PA sistólica em comparação com aqueles que tinham sido submetidos a RDN desde o início. 

Nenhum paciente apresentou estenose renal severa em 24 meses após realizada a RDN. 

Conclusão

A denervação renal gerou uma maior redução significativa da pressão renal sistólica, tanto em consultório quanto no monitoramento ambulatorial de 24 horas, em comparação com o grupo controle, apesar do maior uso de fármacos anti-hipertensivos neste último. 

Original Title: Long-Term Safety and Efficacy of Renal Denervation: 24-Month Results From the SPYRAL HTN-ON MED Trial.

Reference: David E. Kandzar, et al. Circ Cardiovasc Interv. 2025;18:e015194. DOI: 10.1161/CIRCINTERVENTIONS.125.015194.


Subscribe to our weekly newsletter

Get the latest scientific articles on interventional cardiology

Dr. Carlos Fava
Dr. Carlos Fava
Membro do Conselho Editorial da solaci.org

Mais artigos deste autor

SCAI 2026 | Arterialização de veias profundas em pacientes com isquemia crítica de membros inferiores sem opção convencional

A isquemia crítica de membros inferiores (ICMI) representa um dos estágios mais avançados da doença arterial periférica (DAP). Em uma proporção significativa de pacientes,...

C-TRACT: terapia endovascular na síndrome pós-trombótica por obstrução ilíaca

A síndrome pós-trombótica (SPT) é uma das sequelas mais limitantes após uma trombose venosa profunda (TVP) proximal. Manifesta-se clinicamente como dor crônica, edema, alterações...

Embolização com coils de artérias segmentares como estratégia de proteção medular prévia à recuperação endovascular complexa de aorta toracoabdominal

A isquemia medular continua sendo uma das complicações mais devastadoras na recuperação de aneurismas toracoabdominais, com incidência de até 20-30% em reparações extensas. Nesse...

Trombectomia mecânica versus anticoagulação no TEP de risco intermediário: revisão sistemática e metanálise

O tromboembolismo pulmonar (TEP) de risco intermediário tem como tratamento padrão a anticoagulação, ao passo que as estratégias de reperfusão continuam sendo motivo de...

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here

Artigos Relacionados

Congressos SOLACIspot_img

Artigos Recentes

Acesso radial complexo: um protocolo de quatro passos para superar loops e tortuosidades

O acesso radial é, atualmente, a estratégia de escolha para a cinecoronariografia e para as intervenções coronarianas percutâneas devido a sua menor taxa de...

Oclusão percutânea de regurgitação paravalvar em pacientes de alto risco: resultados clínicos e impacto da regurgitação residual

A regurgitação paravalvar (PVL, por suas siglas em inglês) é uma complicação relativamente frequente após a substituição valvar (5–18% global; 2–10% em posição aórtica...

Tudo o que você precisa saber sobre as Jornadas Panamá 2026

Após 7 anos, a SOLACI retorna ao Panamá para realizar suas 54ª Jornadas Regionais, em conjunto com a Associação Panamenha de Hemodinâmica e Cardiologia...