Esta apresentação, exposta no EuroPCR 2026, analisou os resultados clínicos da monoterapia com clopidogrel versus a aspirina em pacientes que tinham superado os 12 meses posteriores a uma intervenção coronariana percutânea (PCI) sem apresentarem eventos adversos.

Historicamente, a aspirina se constituiu como o pilar do tratamento antiplaquetário de longo prazo. Contudo, evidências emergentes sugerem que os inibidores P2Y12, como o clopidogrel, poderiam oferecer uma maior eficácia e uma melhor tolerabilidade gastrointestinal. O objetivo do estudo foi comparar a eficácia e a segurança dos dois fármacos em um cenário de “mundo real”, com especial foco em subgrupos de alta complexidade, como o de pacientes com alto risco de sangramento (HBR) e/ou PCI complexas.
Realizou-se um estudo de coorte observacional prospectivo no Hospital Fuwai (China), que incluiu 5664 pacientes que tinham completado a terapia antiplaquetária dual (DAPT) padrão de 12 meses sem eventos. A população foi dividida em dois grupos de monoterapia: clopidogrel (n = 1974) e aspirina (n = 3690).
O desfecho primário foi a incidência de eventos clínicos adversos líquidos (NACE) em seguimento de 36 meses, definidos como a combinação de morte por qualquer causa, infarto do miocárdio, acidente vascular cerebral ou sangramento BARC tipo 2, 3 ou 5.
Os resultados mostraram uma redução significativa de NACE a favor do clopidogrel, com uma incidência significativamente menor em comparação com a aspirina (2,5% vs. 4,7%; HR: 0,52; p < 0,001). Ademais, o risco de eventos cardíacos ou cerebrais maiores – incluindo morte, infarto do miocárdio ou AVC – também foi substancialmente menor com clopidogrel (1,3% vs. 3,0%; HR: 0,43; p < 0,001).
O clopidogrel mostrou também uma tendência a um menor risco de sangramento clinicamente relevante (BARC 2, 3 ou 5), embora esse achado não tenha alcançado significância estatística estrita (1,2% vs. 1,9%; p = 0,077). O benefício clínico líquido do clopidogrel foi consistente, independentemente do risco de sangramento (HBR) ou da complexidade da PCI.
Conclusão: o clopidogrel reduziu eventos cardiovasculares comparado à aspirina como monoterapia após PCI
Em pacientes que permanecem livres de eventos depois de transcorrido o período padrão de DAPT, o clopidogrel parece oferecer uma melhor proteção clínica a longo prazo do que a aspirina, motivo pelo qual poderia ser considerado uma estratégia preferencial de manutenção, inclusive em cenários de alto risco hemorrágico ou PCI complexas.
Título original: Net Clinical Outcomes of Clopidogrel vs Aspirin Monotherapy after Coronary Stenting by Bleeding Risk and PCI Complexity.
Referência: Presentado por Hao-Yu Wang en EuroPCR 2026.
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