Cobertura intimal de stents eluidores de droga com overlapping vs sem overlapping

Título original: Tissue coverage and neointimal hyperplasia in overlap versus nonoverlap segments of drug-eluting stents 9 to 13 months after implantation: In vivo assessment with optical coherence tomography. Referência: Juan Luis Gutiérrez-Chico et al. Am Heart J 2013;166:83-94.e3.

O efeito da superposição de stents eluidores de droga (DES) sobre o processo de cicatrização neointimal não está completamente esclarecido. A sobre dosagem de droga, a maior quantidade de polímero e a dupla capa metálica fazem que uma alteração na cobertura intimal seja esperável, de fato, os estudos angiográficos mostraram maior perda tardia de lúmen e reestenose binária nos segmentos superpostos. 

O objetivo deste estudo foi comparar por tomografia de coerência óptica (OCT) a cobertura intimal de segmentos superpostos vs não superpostos em diferentes tipos de DES. Os dados surgiram dos estudos randomizados LEADERS e RESOLUTE-All comers  que incluíam no protocolo um seguimento angiográfico e por OCT.

No total 42 segmentos superpostos foram analisados correspondentes a 11 stents eluidores de sirolimus (Cypher SELECT; Cordis, Miami Lakes, FL), 3 stents eluidores de biolimus (BioMatrix Flex; Biosensors International, Morges, Switzerland), 11 stents eluidores de zotarolimus (Resolute; Medtronic Inc, Santa Rosa, CA) e 17 stents eluidores de everolimus (Xience V; Abbott Vascular, Santa Clara, CA).

Observou-se um 5.1% de struts não cobertos nos segmentos superpostos que aumenta a 6.2% quando se exclui a capa de struts mais externa em comparação com somente 2.3% de struts não cobertos nos segmentos não superpostos. A espessura da cobertura intimal resultou de 109 µm nos segmentos superpostos vs 150 µm nos não superpostos. Este efeito foi independente do tipo de DES analisado.

Conclusão:

O crescimento neointimal pela superposição de DES é marcadamente heterogéneo já que embora em média tende a ser uma capa mais fina e com maior quantidade de struts não cobertos, existem casos onde a superposição leva a uma exagerada e mais vultosa proliferação. Estes resultados podem ajudar a entender por que a superposição de stents eluidores está associada a piores resultados tanto em termos de trombose como reestenose.

Comentário editorial:

Um dos pontos que pode motivar a incongruência existente entre os diferentes trabalhos é a análise da capa mais externa de struts (alguns a incluíram, outros não) já que logicamente vai estar melhor posicionada e coberta que a capa mais interna. Uma limitação do trabalho é que se trata de uma análise post hoc com relativamente poucos pacientes e não existem dados da complexidade anatómica prévia à angioplastia. Tal vez a necessidade de superpor stents seja por causa de uma anatomia mais complexa que poderia explicar por si só os resultados nestes segmentos. 

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