Aumento da mortalidade no ramo FFR: real ou casual? (FUTURE)

O estudo FUTURE, que testou a utilidade da revascularização funcional utilizando medição do fluxo fracionado de reserva (FFR), foi detido precocemente pelo comitê de segurança devido a um aumento da mortalidade em um ano nos pacientes guiados por FFR.

 

Este resultado inédito e inesperado se deu quando 17 pacientes do grupo guiado por FFR faleceram no primeiro ano de seguimento, em comparação com sete do ramo controle guiado por angiografia.

 

No momento em que o estudo foi detido, a diferença em mortalidade entre os 836 pacientes incluídos na análise era significativamente mais alta no ramo FFR (2% vs. 4%; p = 0,02).

 

Ao apresentar os resultados na American Heart Association Scientific Sessions 2016, o autor do estudo informou que o trabalho deixa mais questionamentos que respostas, principalmente por seu encerramento precoce que não permite tirar conclusões firmes sobre o desfecho primário de morte por qualquer causa, infarto agudo do miocárdio, revascularização repetida ou AVC. É possível que a diferença em mortalidade seja realmente um achado falacioso.

 

O FUTURE foi um estudo randomizado realizado em 31 centros da França que visava a incluir 1.721 pacientes com doença de múltiplos vasos. A hipótese de trabalho era que o FFR seria uma guia útil de tratamento tanto para angioplastia, como para cirurgia ou tratamento médico que poderiam melhorar os resultados em comparação com a tradicional guia angiográfico.

 

Dados de registros mostraram que o FFR modifica a estratégia de revascularização em aproximadamente 40% dos pacientes e a cifra é ainda maior se considerarmos pacientes sem estudo funcional prévio.

 

No FUTURE, a estratégia terapêutica se alterou, como era esperado. Tanto no ramo controle quanto no ramo FFR não houve diferença para os pacientes que receberam cirurgia, mas o número daqueles que foram somente a tratamento médico ótimo foi significativamente maior no ramo FFR, enquanto que a taxa de angioplastia nesse grupo foi menor.

 

No ramo FFR, 17% receberam tratamento médico ótimo, somente 12% receberam cirurgia e 71% receberam angioplastia. No ramo guiado por angiografia, 9% dos pacientes receberam tratamento médico, 12% receberam cirurgia e 78% receberam angioplastia.

 

Uma explicação possível para o excesso de mortalidade é que o uso do FFR diminui o escore de SYNTAX (SYNTAX funcional), motivo pelo qual alguns pacientes poderiam não ter se beneficiado com uma cirurgia de revascularização miocárdica, por exemplo. Esta teoria é razoável, mas o problema é que ambos os ramos têm uma taxa similar de cirurgia.

 

Título original: Functional testing underlying revascularization: the FUTURE trial.

Apresentador: Rioufol G et al.


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