TAVI: o acesso carotídeo é uma alternativa válida

Gentileza do Dr. Carlos Fava.

TAVI  acesso carotídeoO acesso femoral é, sem dúvida, a primeira opção para o implante percutâneo da valva aórtica (TAVI). Contudo, enfrentamo-nos com um grupo cada vez maior de pessoas nas quais esse acesso não é possível, motivo pelo qual devemos buscar acessos alternativos.

 

Foram incluídos 174 pacientes entre 2009 e 2014 que receberam TAVI e que não eram candidatos para que o procedimento fosse realizado por acesso femoral. Utilizou-se o acesso carotídeo como alternativa. Em 122 pacientes o implante foi feito sob anestesia geral e em 52 utilizou-se uma estratégia minimamente invasiva com anestesia local e sedação.

 

As populações foram similares, com uma média de idade de 80,5 anos e um STS de mortalidade 8,4%. Os pacientes que receberam uma estratégia minimamente invasiva apresentaram mais doença coronariana e cirurgia de revascularização prévia. A anestesia geral foi mais utilizada nos primeiros anos da experiência.

 

O acesso carotídeo foi bem-sucedido em todos os pacientes, a valva mais utilizada foi a CoreValve (78,9%), seguida pela SAPIENS XT (16,6%) e pela Lotus (1,1%).

 

Não houve complicações vasculares maiores, 18,9% dos pacientes requereram marca-passo definitivo e a presença de nova fibrilação atrial foi de 8,6%, independentemente do tipo de anestesia.

 

Não houve diferenças em morte e em morte cardíaca em 30 dias e em um ano com relação ao tipo de anestesia utilizada (7,3% vs. 7,6% e 13,9% vs. 9,6%, anestesia geral vs. anestesia local, respectivamente).

 

Em 30 dias, o desfecho de eficácia foi de 85,2% para anestesia geral vs. 94,2% para anestesia local (p = 0,09) e o desfecho de segurança foi de 77,8% vs. 86,5%, respectivamente (p = ns).

 

No grupo de anestesia geral foram observados 10 eventos cerebrovasculares (5,7%): 4 AVC (2,2%) e 6 acidentes isquêmicos transitórios (3,4%). Não foram observados eventos cerebrovasculares no grupo minimamente invasivo (p < 0,001).

 

Não houve diferenças na performance valvar avaliada por ecocardiografia.  

 

Conclusão

O acesso carotídeo para o implante percutâneo da valva aórtica é factível tanto com a utilização de anestesia geral quanto com a utilização de anestesia local. Houve uma maior taxa de AVC periprocedimento nos que receberam anestesia geral.

 

Comentário editorial

Esta série com um número significativo de pacientes demonstra que o acesso carotídeo é uma alternativa viável quando não é possível utilizar o acesso femoral.

 

Provavelmente a maior taxa de eventos cerebrovasculares se relacione com a curva de aprendizagem, já que a anestesia geral foi utilizada frequentemente no início da série. Porém, devemos levar em consideração o fato de nem todos os pacientes serem candidatos à estratégia minimamente invasiva.

 

É necessário continuar investigando qual é o melhor acesso quando o femoral não é uma opção viável.

 

Gentileza do Dr. Carlos Fava. Fundação Favaloro, Buenos Aires, Argentina.

 

Título original: Transcarotid Trancatheter Aortic Valve Replacement. General or Local Anesthesia.

Referência: Nicolas Debry et al. J Am Coll Cardiol Intv 2016;9:2113-20.


Subscreva-se a nossa newsletter semanal

Receba resumos com os últimos artigos científicos

Sua opinião nos interessa. Pode deixar abaixo seu comentário, reflexão, pergunta ou o que desejar. Será mais que bem-vindo.

Mais artigos deste autor

Obstrução coronariana no TAVI: um novo índice volumétrico a ser considerado

A obstrução coronariana durante o TAVI é uma complicação pouco frequente, mas potencialmente devastadora, especialmente em procedimentos valve-in-valve, em anatomias com seios de Valsalva...

EARLY TAVR: impacto da idade nos resultados do TAVI precoce em pacientes assintomáticos

A estenose aórtica severa assintomática representa um desafio clínico cada vez mais frequente. Embora as diretrizes recomendem intervir quando aparecem sintomas ou deterioração da...

T-TEER: para além dos limiares tradicionais de hipertensão pulmonar

A insuficiência tricúspide (IT) significativa se associa à deterioração funcional progressiva, a hospitalizações por insuficiência cardíaca (IC) e ao aumento da mortalidade. Nos últimos...

A oclusão do apêndice atrial esquerdo é segura em pacientes com fração de ejeção reduzida?

Os pacientes com insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida (ICFEr) foram excluídos dos principais estudos randomizados sobre oclusão percutânea do apêndice atrial esquerdo...

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here

Artigos Relacionados

Congressos SOLACIspot_img

Artigos Recentes

Obstrução coronariana no TAVI: um novo índice volumétrico a ser considerado

A obstrução coronariana durante o TAVI é uma complicação pouco frequente, mas potencialmente devastadora, especialmente em procedimentos valve-in-valve, em anatomias com seios de Valsalva...

Espaço do Fellow – Caso 2: Infarto Agudo do Miocárdio por Oclusão Simultânea de Duas Artérias Coronárias

Compartilhe sua experiência. Aprenda com especialistas. Cresça como intervencionista. Chega uma nova edição do Cantinho do Fellow, um espaço de intercâmbio acadêmico criado para que...

EARLY TAVR: impacto da idade nos resultados do TAVI precoce em pacientes assintomáticos

A estenose aórtica severa assintomática representa um desafio clínico cada vez mais frequente. Embora as diretrizes recomendem intervir quando aparecem sintomas ou deterioração da...