O uso do IVUS na angioplastia de tronco não protegido se associa a melhores resultados em comparação com a angioplastia guiada por angiografia

Gentileza do Dr. Gustavo Leiva.

O uso do IVUS na angioplastia de tronco não protegido se associa a melhores resultados em comparação com a angioplastia guiada por angiografiaA cirurgia de revascularização miocárdica (CRM) tem sido tradicionalmente o procedimento de escolha em pacientes com doença do tronco da coronária esquerda. No entanto, o uso das técnicas percutâneas nesse tipo de lesões tem aumentado, em parte devido a pesquisas recentes que mostram resultados similares nos dois tipos de intervenção.

 

A angioplastia do tronco de coronária esquerda não protegida continua sendo um procedimento desafiante. O uso do ultrassom intravascular (IVUS) proporciona valiosa informação sobre o grau de lesão, assim como sobre o diâmetro desse segmento vascular.  

 

O objetivo deste estudo foi investigar o impacto clínico do ultrassom intravascular em pacientes submetidos a uma angioplastia não protegida do tronco da coronária esquerda utilizando os dados do registro sueco de angiografia e angioplastia coronariana (SCAAR registry). Foram incluídos pacientes nos quais se realizou uma angioplastia do tronco da coronária esquerda (com doença coronariana estável ou síndrome coronariana aguda) entre janeiro de 2005 e outubro de 2014. Foram excluídos os pacientes com cirurgia prévia, Killip classe III-IV durante o procedimento, complicações ou morte no laboratório de hemodinâmica e diâmetro do stent superior a 3 mm. 

 

Avaliou-se um desfecho combinado composto por mortalidade global, reestenose e trombose definitiva (verificada angiograficamente). Como desfechos secundários, foram avaliados cada um dos componentes do desfecho primário e trombose provável, definida como a morte inexplicável ocorrida dentro dos 30 dias.  

 

A população do estudo se constituiu de 2.468 pacientes. Foi utilizado IVUS em 621 casos (25,2%). Os pacientes do grupo nos quais se utilizou IVUS eram mais jovens (principalmente do sexo masculino) e com um menor histórico de insuficiência cardíaca, infarto do miocárdio e acidente cerebrovascular. O diâmetro do stent utilizado foi maior no grupo de IVUS (4 vs. 3,5 mm), assim como o comprimento e o número de stents implantados. O tempo de fluoroscopia e a quantidade de substância de contraste utilizada foi maior no grupo de IVUS.

 

A diabetes mellitus, a utilização de ticagrelor, o uso de mais de 4 stents e uma revascularização completa, foram fatores associados à utilização de IVUS. O desfecho primário combinado ocorreu com menor frequência no grupo IVUS, em comparação com o grupo não IVUS (HR 0,65; IC 95% 0,50-0,84; p = 0,001). O desfecho secundário de mortalidade ocorreu menos no grupo IVUS (HR 0,62; IC 95% 0,47-0,82; p = 0,001). Também foi menor o número de reestenoses e tromboses do stent.

 

A angioplastia do tronco guiada por IVUS esteve associada à utilização de stents de maior diâmetro, o que se relacionou com uma menor incidência dos desfechos primários.

 

Comentário

A utilização de IVUS na angioplastia de tronco não protegido esteve associada a melhores resultados em comparação com a angioplastia guiada somente por angiografia. Ditos resultados deram-se fundamentalmente por uma significativa menor mortalidade global nas angioplastias guiadas por IVUS.

 

A utilização do IVUS neste tipo de procedimentos permite realizar uma avaliação mais exaustiva das características da lesão e do diâmetro do vaso. Por outro lado, possibilita avaliar os resultados pós-procedimento, fundamentalmente para evitar uma subexpansão do stent, mecanismo reconhecido e associado à trombose da prótese.

 

Gentileza do Dr. Gustavo Leiva.

 

Título original: Intravascular Ultrasound Guidance Is Associated With Better Outcome in Patients Undergoing Unprotected Left Main Coronary Artery Stenting Compared With Angiography Guidance Alone.

Referência: Circ Cardiovasc Interv. 2017; 10:e004813. DOI: 110.1161/CIRCINTERVENTIONS.116.004813.


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