NOTION: os resultados de 5 anos do TAVI vs. cirurgia em pacientes de baixo risco são promissores

No seguimento de 5 anos não foram constatadas diferenças em termos de mortalidade por qualquer causa, AVC, infarto agudo do miocárdio ou todos esses eventos combinados em pacientes idosos mas de baixo risco que receberam implante percutâneo da valva aórtica (TAVI) ou cirurgia convencional. Tais resultados não surpreendem se considerarmos os relatórios de anos anteriores.

O NOTION incluiu uma população de 70 anos ou mais com estenose aórtica severa e sem demasiados critérios de exclusão. Foram incluídos e randomizados 280 pacientes que apresentaram um STS médio de 3 em ambos os ramos.

 

Em 5 anos, o desfecho primário de morte por qualquer causa, AVC ou infarto foi de 39,2% para TAVI vs. 35,8% para os que foram submetidos a cirurgia convencional, uma diferença que não é significativa. Ao analisar somente aqueles pacientes com um STS abaixo de 4 o resultado foi idêntico.

 

A mortalidade por qualquer causa foi idêntica (27,7% para os dois grupos), sendo a mortalidade mais baixa registrada para um trabalho de TAVI em 5 anos.


Leia também: O marca-passo definitivo continua sendo “o tendão de Aquiles” do TAVI.


Os AVC foram numericamente mais altos com TAVI vs. cirurgia (10,5% e 8,2%, respectivamente), ao passo que os infartos foram praticamente idênticos (8,6% vs. 8,7%).

 

As diferenças surgiram na taxa de insuficiência aórtica, que foi consistente e significativamente mais alta no TAVI, embora não tenha sido possível associar a insuficiência aórtica com diferenças em mortalidade, diferentemente do que ocorreu com a maioria dos trabalhos apresentados até o momento.

 

E, uma vez mais, diferentemente da maioria do apresentado até o momento, a maior taxa de marca-passos no TAVI pôde sim ser associada a maior mortalidade. 41,8% dos pacientes que receberam TAVI necessitaram marca-passo (34% dentro dos 30 dias) vs. somente 8,4% dos que receberam cirurgia convencional em 5 anos de seguimento. A mortalidade entre os pacientes que requereram marca-passo foi de 38,2% vs. 21,7% dos que não necessitaram, tendência que esteve perto de alcançar a significância (p = 0,07).


Leia também: Dupla antiagregação: menos é mais em pacientes idosos.


É necessário considerar que este foi um trabalho pioneiro que começou apenas 2 anos após a válvula CoreValve ter sido aprovada na Europa, sem nenhum dispositivo recapturável disponível e sem regras claras no que se refere ao momento do implante o marca-passo pós-procedimento. Com novos dispositivos disponíveis que melhoraram muito em termos de necessidade de marca-passo e regurgitação paravalvar e com estudos em curso em pacientes de baixo risco só será questão de controlar a ansiedade e esperar os resultados de ditos estudos.

 

Título original: Five-year outcomes from the all-comers Nordic Aortic Valve Intervention randomized clinical trial in patients with severe aortic valve stenosis.

Apresentador: Thyregod HGH.


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