ESC 2018 | CULPRIT-SHOCK: resultados após 1 ano de seguimento continuam respaldando o tratamento de somente a artéria culpada

O aumento da taxa de revascularização e a insuficiência cardíaca não justificam a vantagem em termos de mortalidade precoce que tem o tratamento de somente a artéria culpada em pacientes cursando um infarto agudo de miocárdio em choque cardiogênico.

CULPRIT-SHOCK: los resultados a 1 año continúan soportando tratar solo la arteria culpableO seguimento de um ano do CULPRIT-SHOCK reforça a ideia de tratar somente a artéria responsável pelo infarto com a opção de uma revascularização posterior das lesões significativas não culpadas versus a angioplastia imediata de todos os vasos em pacientes cursando um infarto agudo de miocárdio complicado com choque cardiogênico.

 

Como já foi publicado, com os resultados após 30 dias, a revascularização imediata de todos os vasos aumentou o risco de morte e de insuficiência renal severa com necessidade de diálise. Esta diferença é conduzida, basicamente, por uma diferença absoluta do risco de 8% em morte por qualquer causa. A angioplastia exclusiva para a artéria responsável pelo infarto é a estratégia de preferência nestes pacientes e é uma mudança com relação ao que temos feito historicamente.


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Após um ano, a diferença em mortalidade perdeu a significância que tinha aos 30 dias, mas se mantém uma forte tendência a favor de tratar somente a artéria culpada (50,0% versus 56,9%; RR 0,88; IC 95% 0,76-1,01). Também houve uma diferença no limite da significância em termos de morte e infarto recorrente, sempre em favor de tratar somente a artéria culpada (50,9% versus 58,4%; RR 0,87; IC 95% 0,76-1.00).

 

Os resultados publicados simultaneamente em NEJM mostram também que tratar somente a artéria culpada se associa a aumento da revascularização (32,3% versus 9,4%; RR 3,44; IC 95% 2,39-4,95) e das hospitalizações por insuficiência cardíaca (5,2% versus 1,2%; RR 4,46; IC 95% 1,53-13,04). O aumento das hospitalizações por insuficiência cardíaca foi uma surpresa para os pesquisadores, mas, de qualquer forma, não justifica tratar todos os vasos como consequência dos resultados após 30 dias, cuja confirmação chega um ano depois.


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Esses resultados levaram à mudança efetuada nos guias europeus (publicados simultaneamente) que dão um nível de recomendação classe III à revascularização imediata de todos os vasos nos pacientes em choque cardiogênico. A revascularização completa deveria realizar-se posteriormente.

 

Título original: One-year outcomes after PCI strategies in cardiogenic shock.

Referência: Apresentador Holger Thiele, no ESC 2018, e publicado simultaneamente no N Engl J Med. 2018; Epub ahead of print.

 

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