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Massa de isquemia basal em pacientes com múltiplos vasos e evolução a longo prazo

Segundo esta recente análise do estudo MASS II que proximamente será publicada no JAMA, a isquemia basal não se associa a eventos após 10 anos em pacientes com angina crônica estável.

A massa isquêmica induzida com o exercício não prediz eventos nem a função ventricular a longo prazo. Esse dado deixa suspensos os resultados do estudo ISCHEMIA.

Os resultados deste estudo continuaram sendo consistentes sem importar o tipo de estratégia terapêutica aplicada no estudo MASS II.

A controvérsia entre a massa de isquemia documentada e os eventos a longo prazo em pacientes com angina crônica estável é o objetivo a longo prazo do estudo ISCHEMIA, que visa a encontrar a melhor estratégia entre a revascularização mais o tratamento médico ótimo vs. somente o tratamento médico ótimo em pacientes com massa isquêmica moderada ou severa nos testes de esforço. Continuamos esperando os resultados do ISCHEMIA com um seguimento de 5 anos, embora a presente análise já nos dê pistas do que poderia ser o resultado do ISCHEMIA e com um seguimento de 10 anos.


Leia também: Como evitar o tratamento farmacológico excessivo em idosos.


Estes resultados de 10 anos do MASS II são consistentes com os do COURAGE, do BARI 2D e com os do registro CLARIFY.

O estudo MASS II randomizou 611 pacientes a somente tratamento médico ótimo vs. angioplastia ou cirurgia de revascularização miocárdica, ambas também como tratamento médico ótimo, em pacientes com múltiplos vasos estáveis. O MASS II recrutou pacientes no final dos anos 90, o que significa que a partir de então houve grandes mudanças, principalmente no que se refere à angioplastia no tratamento médico.

Após uma década de seguimento não foi possível documentar que a presença de isquemia basal se relacione com sobrevida livre de eventos cardiovasculares, mortalidade por qualquer causa, infarto agudo do miocárdio ou revascularização por angina refratária (HR 1,00; IC 95% 0,80 a 1,27).


Leia também: A pressão sistólica parece ter mais importância, mas a diastólica não deve ser subestimada.


Historicamente entendemos que a presença de isquemia identificava uma população de maior risco e, portanto, justificaria a indicação de revascularização (sem importar que tipo de revascularização) para proteger o miocárdio dos efeitos crônicos da isquemia. No entanto, o presente estudo não respalda dito pressuposto.

Em conclusão, estes resultados talvez sejam somente provisórios e nos mantêm em suspense até a publicação da evolução a longo prazo do ISCHEMIA.

Original title: Association between stress testing–induced myocardial ischemia and clinical events in patients with multivessel coronary artery disease.

Referência: Larrosa Garzillo C et al. JAMA Intern Med.2019; Epub ahead of print.


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