A anticoagulação pode afetar a vida útil das pontes coronarianas?

A estratégia de tratamento antiplaquetária que balanceie de forma ótima o risco trombótico e o de sangramento nos pacientes que são submetidos a cirurgia de revascularização miocárdica não está claro.

Balancear el riesgo de sangrado vs trombótico para definir el tiempo de doble antiagregación

Entretanto, parece certeiro afirmar que alguma anticoagulação é necessária para evitar a trombose precoce, principalmente no que se refere às pontes venosas. Também devemos considerar que há mais elementos que entram em jogo (diferentemente do que ocorre com a angioplastia), como a qualidade dos dutos, a perícia com a qual foram realizadas as anastomoses, o leito distal de saída e inclusive o grau de obstrução das lesões proximais às anastomoses. São muitas variáveis e para conseguir concluir que trocar um antiagregante pode inclinar a balança é necessário observar muitos pacientes.

Este trabalho randomizou de forma duplo-cega pacientes com cirurgia programada a 90 mg de ticagrelor vs. 100 mg de aspirina. O desfecho primário foi uma combinação de morte cardiovascular, infarto do miocárdio, revascularização repetida e AVC 12 meses após a cirurgia. Os desfechos de segurança foram sangramentos ≥ BARC 4 periprocedimiento ou intra-hospitalar e ≥ BARC 3 após a alta.

Este trabalho foi prematuramente suspenso após recrutar 1.859 pacientes dos 3.850 planejados já que nas análises interinas não foram observadas diferenças entre os dois ramos.


Leia também: Coração e cérebro: fatores de risco, fibrilação atrial e demência.


12 meses após a cirurgia o desfecho primário ocorreu em 9,7% do grupo ticagrelor vs. 8,2% do grupo aspirina (p = 0,28). A mortalidade por qualquer causa foi de 2,5% vs. 2,6%, respectivamente (p = 0,89). O resto dos componentes do desfecho primário analisados separadamente também não resultaram em diferenças significativas.

O mesmo ocorreu com o desfecho de segurança (basicamente sangramento) com 3,7% para ticagrelor vs. 3,2% para aspirina (p = 0,53).

Conclusão

Neste trabalho terminado prematuramente e, consequentemente, sem o poder estatístico necessário para conclusões definitivas, não foi possível demonstrar diferenças significativas entre uma terapia com ticagrelor vs. aspirina em pacientes com cirurgia de revascularização miocárdica, tanto em termos de eficácia quanto em termos de sangramento.

Título original: Randomized trial of ticagrelor vs. aspirin in patients after coronary artery bypass grafting: the TiCAB trial.

Referência: Heribert Schunkert et al. European Heart Journal (2019) 0, 1–10.


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