Mais tranquilidade para os dispositivos com paclitaxel em doença periférica

Esta grande análise mostra a rápida adoção dos dispositivos eluidores de paclitaxel para realizar angioplastias em território femoropoplíteo ao mesmo tempo que nos traz tranquilidade sobre sua eventual associação com um aumento da mortalidade. De fato, os resultados em termos de sobrevida, sobrevida livre de amputação e taxa de eventos cardiovasculares foram melhores com os dispositivos eluidores de paclitaxel para tratar a isquemia crônica de membros inferiores. 

dispositivos con paclitaxel en enfermedad periférica

Este trabalho enfatiza a diferença que pode existir entre uma população do “mundo real” (como a deste trabalho) e a população dos estudos randomizados. 

A população de pacientes foi dividida em isquemia crítica crônica vs. claudicação intermitente e em balões eluidores de paclitaxel vs. stents eluidores de paclitaxel. Em cada grupo foi feita a comparação dos dispositivos eluidores de paclitaxel vs. dispositivos convencionais. Utilizou-se propensity score para balancear as características basais da população. 

Foram incluídos 37.914 pacientes com uma idade média de 73 anos entre o ano 2010 e 2018. A proporção anual de uso de dispositivos eluidores de paclitaxel aumentou de 3% a 39% durante dito período nos pacientes com isquemia crítica crônica e de 4% a 48% nos pacientes com claudicação intermitente (p < 0,001 para ambos). 


Leia também: Segurança dos balões com paclitaxel em doença vascular periférica.


Tanto os balões eluidores de paclitaxel quanto os stents se associaram a uma melhora da sobrevida (HR 0,83; IC 95%: 0,77 a 0,90) uma melhora da sobrevida livre de amputação (HR = 0,85; IC 95%: 0,78 a 0,91) e menos eventos cardiovasculares maiores (HR 0,82; IC 95%: 0,77 a 0,89) vs. dispositivos convencionais em pacientes com isquemia crítica crônica. 

No grupo de pacientes com claudicação intermitente a mortalidade também foi mais baixa, tanto nos que receberam balões eluidores de paclitaxel quanto stents eluidores de paclitaxel ou uma combinação de ambos em comparação com os dispositivos convencionas. 

Conclusão

Nesta grande coorte de pacientes não se observou o aumento da mortalidade que antes tinha sido publicado em alguns estudos randomizados. 

Título original: Long Term Survival after Femoropopliteal Artery Revascularisation with Paclitaxel Coated Devices: A Propensity Score Matched Cohort Analysis.

Referência: Christian-Alexander Behrendt et al. Eur J Vasc Endovasc Surg, article in press.


Subscreva-se a nossa newsletter semanal

Receba resumos com os últimos artigos científicos

Sua opinião nos interessa. Pode deixar abaixo seu comentário, reflexão, pergunta ou o que desejar. Será mais que bem-vindo.

Mais artigos deste autor

Supera vs. Eluvia em lesões femorpoplíteas calcificadas com calcificação severa

A calcificação seveera continua sendo um dos principais preditores de reestenose e de necessidade de novas revascularizações após o tratamento endovascular da doença femoropoplítea....

O screening do aneurisma de aorta abdominal em mulheres é custo-efetivo?

Apesar de o screening do aneurisma de aorta abdominal (AAA) ser uma estratégia consolidada em homens a partir dos 65 anos, sua utilidade em...

A regressão do saco aneurismático prediz melhores resultados após o EVAR?

A regressão do saco aneurismático após o reparo endovascular de aneurismas de aorta abdominal (EVAR) foi proposta como um marcador de remodelamento favorável e...

Programa SPYRAL: resultados do seguimento de 3 anos de pacientes tratados com denervação renal

A hipertensão arterial constitui o principal fator de risco modificável para a doença cardiovascular e continua representando um importante desafio para a saúde pública...

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here

Artigos Relacionados

Congressos SOLACIspot_img

Artigos Recentes

Redo-TAVI: resultados em seguimento de 30 dias com a utilização de SAPIEN 3

As 4 indicações para o implante transcateter da valva aórtica (TAVI) se ampliaram rapidamente para incluir pacientes de risco intermediário e baixo, estendendo seu...

DAPT ≤ 30 dias após angioplastia coronariana com balão eluidor de fármaco

A angioplastia coronariana com balão eluidor de fármaco (DCB) sem implante de stent se consolidou como uma alternativa válida em diversos cenários clínicos, particularmente...

Progressão da doença coronariana após o TAVI: análise por meio de QCA e QFR

A coexistência de doença coronariana e estenose aórtica severa é frequente nos pacientes submetidos a implante transcateter valvar aórtico (TAVI). No entanto, ainda é...