ISAR-TEST-5: 10 anos dos DES com polímero vs. sem polímero

Segundo o estudo ISAR-TEST-5, recentemente publicado no J Am Coll Cardiol, 10 anos após o procedimento os pacientes com afecções coronarianas crônicas ou instáveis que foram revascularizados com stents farmacológicos têm resultados similares e muito bons para além da questão do polímero.

ISAR-TEST-5: 10 años de los DES con polímero vs sin polímero

Os desfechos orientados pelo dispositivo no seguimento de 10 anos ocorreram em 43,8% dos pacientes que receberam o stent eluidor de sirolimus livre de polímero vs. 43% dos que receberam o stent eluidor de zotarolimus com polímero permanente. 

Os autores, algo desiludidos, confessaram que esperavam alguma vantagem para os dispositivos livres de polímeros já no seguimento de médio prazo, mas não foi o que ocorreu. 

No final do seguimento não se observou nenhuma vantagem dos dispositivos com tecnologia livre de polímero em comparação com os dispositivos com polímero permanente. Isso não é necessariamente uma má notícia para a nova tecnologia, já que, por outro lado, foi possível confirmar sua segurança e eficácia a longo prazo, algo que outras tecnologias que prometiam muito quando foram lançadas não puderam demonstrar.


Leia também: ESC 2019 | ISAR-REACT 5 | Prasugrel ou ticagrelor na SCA, qual é a melhor opção?


A tecnologia livre de polímero foi desenvolvida devido à preocupação que existia em relação ao efeito inflamatório deste uma vez que a droga era eluida. A demora na cicatrização da artéria e a neoaterosclerose no segmento tratado eram, em parte, atribuídas ao polímero. 

O estudo ISAR-TEST-5 mostrou que a taxa de trombose definitiva ou provável foi muito baixa e similar entre os dois dispositivos. A taxa de trombose foi de 0,5% para os DES livres de polímero vs. 0,7% para os DES com polímero entre e 1 ano e os 10 anos (p = 0,52). Ambas as tecnologias mostram uma trombose muito tardia abaixo de 1%, o que confirma sua maior segurança em comparação com a primeira geração de DES. 

Foram incluídos 2002 pacientes tratados com DES livre de polímero e 1000 tratados com DES com polímero permanente. Aproximadamente 30% dos pacientes tinham antecedente de infarto e 10% de cirurgia de bypass. 60% foram procedimentos programados, 30% anginas instáveis e 10% infartos agudos. 


Leia também: TCT 2019 | IDEAL-LM: DES com polímero absorvível vs. permanente para o tronco da coronária esquerda.


Em um ano o stent livre de polímero provou a não inferioridade com relação ao Resolute em termos de morte cardiovascular, infarto relacionado ao vaso e revascularização da lesão alvo. A expectativa era de que a longo prazo se demonstrasse a superioridade desta tecnologia, mas o seguimento de 5 anos demonstrou que ainda não havia diferenças e agora sabemos que em 10 anos tampouco. 

Título original: 10-year outcomes from a randomized trial of polymer-free versus durable polymer drug-eluting coronary stents.

Referência: Kufner S et al. J Am Coll Cardiol. 2020;76:146-158.


Subscreva-se a nossa newsletter semanal

Receba resumos com os últimos artigos científicos

Sua opinião nos interessa. Pode deixar abaixo seu comentário, reflexão, pergunta ou o que desejar. Será mais que bem-vindo.

Mais artigos deste autor

Rupturas de placa en artérias não culpadas: seguimento com imagens intravasculares

A ruptura de placa continua sendo um dos mecanismos fisiopatológicos mais importantes nas síndromes coronarianas agudas. No entanto, nem todas as rupturas se manifestam...

OCT e placas de alto risco: um preditor fundamental de eventos recorrentes após um infarto do miocárdio

Após um infarto do miocárdio (IM), as lesões não culpadas costumam ser diferidas quando não apresentam limitação significativa do fluxo coronariano (FFR negativo). No...

Ticagrelor vs. clopidogrel em pacientes com SCA e ACOD após ICP: mais sangramento sem benefício isquêmico?

Em pacientes com síndrome coronariana aguda (SCA) que requerem anticoagulação oral direta (ACOD) e são submetidos a uma intervenção coronariana percutânea (ICP), os guias...

EuroPCR 2026 | É seguro suspender a aspirina a um mês em pacientes com infarto tratados com PCI? Análise do TARGET-FIRST

Este é um resumo da análise pós-hoc do estudo TARGET-FIRST, apresentado pelo Dr. Giuseppe Tarantini no EuroPCR 2026 sobre a interrupção precoce da aspirina...

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here

Artigos Relacionados

Congressos SOLACIspot_img

Artigos Recentes

Programa SPYRAL: resultados do seguimento de 3 anos de pacientes tratados com denervação renal

A hipertensão arterial constitui o principal fator de risco modificável para a doença cardiovascular e continua representando um importante desafio para a saúde pública...

Obstrução coronariana no TAVI: um novo índice volumétrico a ser considerado

A obstrução coronariana durante o TAVI é uma complicação pouco frequente, mas potencialmente devastadora, especialmente em procedimentos valve-in-valve, em anatomias com seios de Valsalva...

Espaço do Fellow – Caso 2: Infarto Agudo do Miocárdio por Oclusão Simultânea de Duas Artérias Coronárias

Compartilhe sua experiência. Aprenda com especialistas. Cresça como intervencionista. Chega uma nova edição do Cantinho do Fellow, um espaço de intercâmbio acadêmico criado para que...