AHA 2020 | RIVER: Rivaroxabana como alternativa à varfarina em pacientes com fibrilação atrial e prótese mitral biológica

O rivaroxabana parece ser uma alternativa razoável à varfarina em pacientes com fibrilação atrial e prótese mitral biológica. Estes resultados surgem do estudo RIVER apresentado no congresso AHA 2020 e simultaneamente publicado no NEJM.

AHA 2020 | RIVER: Rivaroxaban como alternativa a la warfarina en pacientes con fibrilación auricular y protesis mitral biológica

Depois de 5 anos de acompanhamento, o rivaroxabana alcançou o critério de não inferioridade em relação ao desfecho primário de morte, eventos cardiovasculares maiores ou sangramento maior.

Os eventos clínicos e hemorrágicos foram numericamente mais baixos no braço rivaroxabana, mas sem alcançar a significância. Foram observados 5 casos de trombose valvar com rivaroxabana e 3 casos com varfarina.

Estudos como o ROCKET-AF – que foram cruciais para introduzir os inibidores diretos na prática clínica diária – excluíram especificamente pacientes com próteses valvares. 

O RIVER foi um estudo aberto de não inferioridade em 49 centros do Brasil que incluiu 1005 pacientes com fibrilação atrial ou palpitação (96% fibrilação atrial) que foram submetidos a cirurgia de troca valvar mitral com bioprótese em 48 horas após a randomização. A média do escore CHA2DS2-VASc foi de 2,6.


Leia também: AHA 2020 | Em grande parte as imagens encontram a causa da MINOCA.


A randomização foi a rivaroxabana 20 mg (15 mg no caso de insuficiência renal) vs. varfarina ajustada a um RIN de 2 a 3. A faixa adequada de anticoagulação com varfarina foi alcançada em 65,5% do tempo.

O desfecho primário foi uma combinação de morte, AVC, acidente isquêmico transitório, embolia sistêmica, trombose valvar, hospitalização por insuficiência cardíaca ou sangramento maior.

A taxa do desfecho primário em um ano foi de 9,4% para rivaroxabana vs. 10,3% para varfarina.


Leia também: AHA 2020 | O clopidogrel persiste como a melhor opção em pacientes eletivos.


Morte e eventos tromboembólicos foram numericamente mais baixos para rivaroxabana (3,4% vs. 5,1%; HR 0,65; IC 95% 0,35-1,20). A taxa de AVC foi significativamente mais baixa com rivaroxabana (0,6% vs. 2,4%; HR 0,25; IC 95% 0,07-0,88), embora este dado deva ser lido com prudência devido à baixa taxa de eventos e ao grande intervalo de confiança.

Os sangramentos maiores foram de 1,4% com rivaroxabana vs. 2,6% com varfarina (HR 0,54; IC 95% 0,21-1,35).

Rivaroxaban

Título original: Rivaroxaban in patients with atrial fibrillation and a bioprosthetic mitral valve.

Referência: Guimarães HP et al. N Engl J Med. 2020 Nov 14. doi: 10.1056/NEJMoa2029603. Online ahead of print. Y presentado simultáneamente en el congreso AHA 2020.


Subscreva-se a nossa newsletter semanal

Receba resumos com os últimos artigos científicos

Mais artigos deste autor

ACVC 2026 | CELEBRATE: utilização de zalunfiban pré-hospitalar em SCACEST

A otimização do tratamento antitrombótico na fase pré-hospitalar da síndrome coronariana aguda com elevação do ST (SCACEST) continua sendo um desafio devido à demora...

Fármacos para o tratamento do no-reflow durante a angioplastia

O fenômeno de no-reflow é uma das complicações mais frustrantes da angioplastia primária (pPCI) e expressa a persistência do dano microvascular que, a médio...

CRT 2026 | Clopidogrel vs. aspirina como monoterapia a longo prazo após uma angioplastia coronariana

O uso de aspirina como terapia antiplaquetária crônica após uma angioplastia coronariana (PCI) foi historicamente o padrão recomendado pelas diretrizes internacionais. No entanto, estudos...

Rivaroxabana em doses baixas após a angioplastia periférica: efetividade e segurança na prática clínica

Após a revascularização de membros inferiores, o tratamento médico ótimo inclui antiagregação, estatinas de alta intensidade e controle dos fatores de risco. Estudos recentes...

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here

Artigos Relacionados

Congressos SOLACIspot_img

Artigos Recentes

ACC 2026 | CHIP-BCIS3: utilização de Impella como suporte na PCI coronariana complexa de alto risco

A utilização de suporte ventricular percutâneo durante a PCI complexa de alto risco foi proposta como uma estratégia para prevenir a deterioração hemodinâmica em...

ACC 2026 | ORBITA-CTO: PCI em oclusões totais crônicas e angina estável. O estudo randomizado que nos faltava?

A angioplastia (PCI) das oclusões totais crônicas (CTO) continua sendo um terreno de debate no contexto da angina estável, com persistente incerteza em seu...

ACC 2026 | HI-PEITHO: estratégia dirigida por cateter (EKOS) em pacientes com TEP agudo de risco intermediário

O tratamento do TEP de risco intermediário continua sendo um cenário de incerteza terapêutica. O estudo inicial PEITHO (2014) demonstrou uma redução da deterioração...