Nível NT-proBNP identifica quem se beneficia e quem não se beneficia com o TAVI

Um nível normal ou, no extremo oposto, um nível muito alto de NT-proBNP deveria nos fazer pensar em outra causa que não a estenose aórtica. Se a estenose aórtica não é a causa do quadro clínico, dificilmente o implante percutâneo da valva aórtica (TAVI) possa trazer algum benefício a esses pacientes. 

Nivel NT-proBNP

Esses dados surgem de um recente trabalho publicado no J Am Heart Assoc, que poderia incorporar o NT-proBNP como uma valiosa ferramenta na hora de tomar decisões em relação ao TAVI. 

Tanto os valores abaixo de 800 ng/L (considerados normais) quanto os muito altos, acima de 10000 ng/L, identificam os pacientes que não terão alívio sintomático após o procedimento. 

Ninguém duvida dos benefícios do TAVI nos pacientes com estenose aórtica sintomática, mas também devemos recordar que o alívio proporcionado não é universal. Até 30% dos pacientes continuam com sintomas similares ou vão a óbito em um ano. 

Trata-se de uma porcentagem muito elevada para não tentarmos afinar a seleção. 


Leia também: O volume de placa acima do grau de estenose.


O presente estudo incluiu 144 pacientes (idade média de 83 anos) submetidos a TAVI e a uma análise basal de NT-proBNP basal. 

A curva de NT-proBNP descreve um “U” no qual níveis abaixo de 800 ou acima de 10000 ng/L predizem futilidade com uma sensibilidade de 88% e especificidade de 83%.

Em mais da metade dos casos nos quais o nível de NT-proBNP foi inferior a 800 e os sintomas não melhoraram com o TAVI havia uma doença pulmonar crônica que poderia explicar a dispneia. 


Leia também: Bom desempenho da Sapien 3 em “trabalhos” para os quais não está desenhada.


No extremo oposto, um NT-proBNP acima de 10000 indicaria uma deterioração sem retorno do ventrículo esquerdo. 

Este trabalho que surge de um só centro de alto volume e serve como gerador de hipóteses. Devemos continuar buscando indicadores para uma melhor seleção de pacientes. 

Título original: Baseline NT-proBNP accurately predicts symptom response to transcatheter aortic valve implantation.

Referência: Allen CJ et al. J Am Heart Assoc. 2020;9:e017574.


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