Solução para a regurgitação tipo 1 A após uma endoprótese abdominal

As regurgitações tipo 1 proximais após a reparação endovascular de um aneurisma de aorta abdominal infrarrenal apresentam uma alta complexidade de resolução e não existe um consenso sobre a solução mais adequada. 

Este trabalho comparou a opção mais radical para solucionar o problema vs. uma opção mais conservadora, embora não menos desafiadora. 

A primeira seria explantar a endoprótese de maneira cirúrgica e reconstruir a aorta; a opção mais conservadora seria uma prótese fenestrada sob medida. 

Esta análise retrospectiva incluiu pacientes entre 2009 e 2018 que foram submetidos a uma das duas opções para solucionar uma endoprótese tipo 1A. A decisão foi tomada pelos operadores com base na anatomia (factibilidade de uma prótese fenestrada), crescimento do saco, apresentação de emergência ou sintomática. 

Apenas 59 pacientes se encontraram em dita situação nos quase 10 anos incluídos, mas é uma informação muito útil pela escassez de dados e pelos riscos de ambas as estratégias. 


Leia também: Dados que podem mudar a estratégia do TAVI e da cirurgia.


A explantação da prótese e reconstrução da aorta foram realizados em 26 pacientes e o implante de uma endoprótese fenestrada sob medida foi realizado em 33.

Os grupos foram similares em termos de idade e comorbidades no momento da intervenção. O tempo médio entre a endoprótese original e o novo procedimento foi de 60,4 meses (faixa de 34 a 85).

O diâmetro máximo do aneurisma foi maior no grupo submetido a cirurgia com explantação e reconstrução (86 mm vs. 70 mm; p = 0,008).

As intervenções secundárias após 30 dias (11,5% vs. 9,1%) bem como a mortalidade (3,8% vs. 3,3%) foram similares entre os dois grupos. 


Leia também: É necessário revascularizar antes do TAVI.


Os eventos adversos maiores definidos pelos guias da Sociedade de Cirurgiões Vasculares foram mais baixos no grupo tratado com endoprótese fenestrada (2,4% vs. 13,6%; p = 0,016). 

Em um ano de seguimento a sobrevida foi similar na comparação entre os grupos (84% vs. 86.6%).

Conclusão

Tanto a explantação da prótese com reconstrução da aorta quanto o implante de uma endoprótese fenestrada são soluções satisfatórias em centros de alto volume e experiência para tratar regurgitação tipo 1A.

A prótese fenestrada tem uma menor morbidade inicial, embora requeira um tempo para ser produzida que muitos pacientes não têm. A cirurgia é uma excelente opção nestes últimos casos. 

Título original: After EVAR by Explantation or Custom Made Fenestrated Endovascular Aortic Aneurysm Repair.

Referencia: Benoit Doumenc et al. Eur J Vasc Endovasc Surg. 2021. Online ahead of print doi: 10.1016/j.ejvs.2020.10.033.


Suscríbase a nuestro newsletter semanal

Reciba resúmenes con los últimos artículos científicos

Mais artigos deste autor

O screening do aneurisma de aorta abdominal em mulheres é custo-efetivo?

Apesar de o screening do aneurisma de aorta abdominal (AAA) ser uma estratégia consolidada em homens a partir dos 65 anos, sua utilidade em...

A regressão do saco aneurismático prediz melhores resultados após o EVAR?

A regressão do saco aneurismático após o reparo endovascular de aneurismas de aorta abdominal (EVAR) foi proposta como um marcador de remodelamento favorável e...

Programa SPYRAL: resultados do seguimento de 3 anos de pacientes tratados com denervação renal

A hipertensão arterial constitui o principal fator de risco modificável para a doença cardiovascular e continua representando um importante desafio para a saúde pública...

Stents eluidores de fármacos em doença arterial periférica: quando utilizá-los?

Os stents periféricos eluidores de fármacos transformaram o tratamento da doença arterial periférica ao reduzir as taxas de reestenose e a necessidade de novas...

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here

Artigos Relacionados

Congressos SOLACIspot_img

Artigos Recentes

Registros Dual-Prep: aterectomia e IVL em calcificação coronariana severa

A calcificação coronariana severa continua sendo um dos cenários mais complexos da angioplastia coronariana. Embora a aterectomia rotacional (AR) ou orbital e a litotripsia...

Resultados hemodinâmicos do reparo borda a borda em insuficiência mitral degenerativa e funcional

O reparo mitral transcateter borda a borda (M-TEER) se consolidou como uma opção terapêutica para a valvopatia mitral. Entre as técnicas disponíveis, o M-TEER...

Heparina pré-hospitalar no SCACEST: uma estratégia segura que proporciona maior reperfusão precoce

A reperfusão precoce continua sendo o principal determinante prognóstico nos pacientes com infarto agudo do miocárdio com elevação do ST (SCACEST). Embora a angioplastia...