Utilidade da avaliação por FFR derivado de OCT sobre resultados clínicos em pacientes com SCA

É bem conhecido na atualidade que os pacientes que cursam uma síndrome coronariana aguda (SCA) se beneficiam com a revascularização percutânea. Contudo, a isquemia residual após uma angioplastia coronariana (ATC) está associada a um pior prognóstico. A angiografia e as imagens intravasculares são úteis para avaliar os resultados posteriores a uma intervenção, mas estão limitadas para a avaliação da fisiologia de uma lesão. 

Efecto a largo plazo de los balones liberadores con bajas dosis de paclitaxel

Estudos recentes demostraram que a avaliação de FFR derivado de OCT tem uma forte relação com o FFR medido convencionalmente. 

O objetivo deste estudo retrospectivo, multicêntrico e observacional foi pesquisar a relação entre OCT-FFR pós-ATC e os resultados clínicos a longo prazo em pacientes com síndromes coronarianas agudas. 

O desfecho primário (DP) foi a falha no vaso tratado (TVF) composto por morte cardiovascular, IAM relacionado com o vaso tratado e revascularização guiada por isquemia do vaso tratado. 

Foram incluídos 364 pacientes. A idade média foi de 69 anos e a maioria dos pacientes eram homens. A apresentação clínica mais frequente foi o IAMCEST, e a artéria mais afetada foi a descendente anterior. 

Durante o seguimento de 36 meses a TVF ocorreu em 14% dos pacientes. O valor de OCT-FFR foi significativamente menor no grupo TVF em comparação com o grupo não TVF (p < 0,001). A incidência de TVF foi 9 vezes maior nos vasos com baixo valor de OCT-FFR (< 0,90) em comparação com os valores altos de OCT-FFR (> 0,90). 

Leia também: Prognóstico pós-implante de marca-passo em ablação com álcool.

Além disso, a incidência de morte cardiovascular e de revascularização do vaso tratado foi significativamente maior nos pacientes com valores baixos de OCT-FFR. Os pacientes do grupo TVF tinham menor área luminal média (p < 0,001) e menor área luminal mínima (p < 0,001) que os do grupo não TVF. 

Os fatores associados a baixo nível de OCT-FFR foram lesão em artéria descendente anterior, área luminal mínima intrastent pequena, trombose intrastent, dissecção em extremo proximal do stent, lesão não culpada longa e com área luminal mínima pequena. 

Conclusão 

Este estudo revelou que o valor de OCT-FFR é um fator independente de TVF. A medição com OCT-FFR e a consideração de uma estratégia adicional na ATC pode melhorar os resultados clínicos em pacientes com SCA. 

Dr. Andrés Rodríguez.
Membro do Conselho Editorial da SOLACI.org.

Título Original: Optical Coherence Tomography Fractional Flow Reserve and Cardiovascular Outcomes in Patients With Acute Coronary Syndrome.

Referência: Shunsuke Kakizaki, MD et alJ Am Coll Cardiol Intv 2022.


Subscreva-se a nossa newsletter semanal

Receba resumos com os últimos artigos científicos

Mais artigos deste autor

É necessário usar o IVUS de forma rotineira na angioplastia do tronco da coronária esquerda?

A angioplastia do tronco da coronária esquerda não protegido é um procedimento de grande complexidade devido ao amplo território miocárdico em risco e às...

Registros Dual-Prep: aterectomia e IVL em calcificação coronariana severa

A calcificação coronariana severa continua sendo um dos cenários mais complexos da angioplastia coronariana. Embora a aterectomia rotacional (AR) ou orbital e a litotripsia...

Heparina pré-hospitalar no SCACEST: uma estratégia segura que proporciona maior reperfusão precoce

A reperfusão precoce continua sendo o principal determinante prognóstico nos pacientes com infarto agudo do miocárdio com elevação do ST (SCACEST). Embora a angioplastia...

Rupturas de placa en artérias não culpadas: seguimento com imagens intravasculares

A ruptura de placa continua sendo um dos mecanismos fisiopatológicos mais importantes nas síndromes coronarianas agudas. No entanto, nem todas as rupturas se manifestam...

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here

Artigos Relacionados

Congressos SOLACIspot_img

Artigos Recentes

Supera vs. Eluvia em lesões femorpoplíteas calcificadas com calcificação severa

A calcificação seveera continua sendo um dos principais preditores de reestenose e de necessidade de novas revascularizações após o tratamento endovascular da doença femoropoplítea....

É necessário usar o IVUS de forma rotineira na angioplastia do tronco da coronária esquerda?

A angioplastia do tronco da coronária esquerda não protegido é um procedimento de grande complexidade devido ao amplo território miocárdico em risco e às...

Registros Dual-Prep: aterectomia e IVL em calcificação coronariana severa

A calcificação coronariana severa continua sendo um dos cenários mais complexos da angioplastia coronariana. Embora a aterectomia rotacional (AR) ou orbital e a litotripsia...