Resultados dos distintos dispositivos para TAVI no “mundo real”

O implante percutâneo da valva aórtica (TAVI) continua em curva de ascensão, seja em termos de desenvolvimento de novos dispositivos, seja no que se refere à experiência dos operadores e planejamento dos procedimentos. Na atualidade, estão disponíveis no mercado vários dispositivos que podem ser escolhidos dependendo das características do paciente e da experiência do operador. Os estudos desenhados para comparar esses dispositivos levaram em consideração os dois lados, o que permite colocar a atenção nos benefícios potenciais do uso de válvulas de forma comparativa. 

dispositivos para TAVI en el mundo real

O objetivo deste estudo prospectivo multicêntrico foi comparar de forma simultânea os resultados das válvulas de segunda e terceira gerações mais utilizadas em um população de pacientes do “mundo real”.

O desfecho primário (DP) foi uma combinação de morte por todas as causas, acidente vascular cerebral e re-hospitalização por IC em 1 ano. O desfecho secundário (DS) foi composto pelos componentes individuais do DP mais implante de marca-passo definitivo e IAM em 1 ano. 

Um total de 2728 pacientes foram incluídos no OBSERVANT II (Observational Study of effectiveness of TAVI With New Generation Devices for Severe Aortic Stenosis Treatment) realizado na Itália. As válvulas utilizadas foram a EVOLUT R, EVOLUT PRO, SAPIEN 3, ACURATE neo e PORTICO. A idade média dos pacientes foi de 83 anos e a maior parte da população esteve composta por mulheres. O EUROScore II foi de 5,1%. O acesso femoral foi utilizado em 91% dos casos. 

Leia também: Devemos tratar a doença coronariana significativa estável no TAVI.

Em relação ao DP, no seguimento de 1 ano não houve diferenças entre os diferentes grupos de válvulas (p = 0,56). No entanto, o implante de marca-passos foi significativamente menor nos pacientes submetidos a implante de SAPIEN 3 em 1 ano (p < 0,01). Além disso, a SAPIEN 3 apresentou menor taxa de regurgitação paravalvar (p < 0,01) e maior gradiente transvalvar após o TAVI (p < 0,01).

Conclusão 

Os dados da prática no “mundo real” mostraram menor taxa de complicações após o TAVI com todos os dispositivos disponíveis na atualidade. Os pacientes submetidos a implante da SAPIEN 3 tiveram menor taxa de implante de marca-passo definitivo e de regurgitação paravalvar, mas apresentaram um maior gradiente transvalvar. São necessários estudo de maior magnitude e de seguimento mais longo para corroborar os resultados aqui apresentados. 

Dr. Andrés Rodríguez.
Membro do Conselho Editorial da SOLACI.org.

Título Original: Real-World Multiple Comparison of Transcatheter Aortic Valves: Insights From the Multicenter OBSERVANT II Study.

Referência: Giuliano Costa et al Circ Cardiovasc Interv. 2022;15:e012294.


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