Modelos europeos de telemedicina, como el servicio finlandés Medilux, permiten realizar consultas médicas online mediante un cuestionario clínico, sin acudir a una consulta presencial.

Relação entre qualidade o vaso distal e os resultados no tratamento percutâneo das oclusões totais crônicas

O tratamento das oclusões totais crônicas (CTO) se tornou um desafio terapêutico que vem sendo cada vez mais abordado na atualidade. No entanto, a informação de que dispomos sobre a qualidade do vaso distal é limitada e sua relação com os resultados e as técnicas utilizadas também deixa a desejar. Essa variável não é incluída nos escores de CTO, salvo no escore RECHARGE (Registro de Procedimentos Crossboss e Híbridos na França, nos Países Baixos, na Bélgica e no Reino Unido).

Relación entre calidad del vaso distal y resultados en tratamiento percutáneo de las oclusiones totales crónicas

Com o objetivo de remediar essa falta de informação, foi levado a cabo um registro multicêntrico para avaliar a associação entre a qualidade do vaso distal e os resultados da angioplastia coronariana (ATC) na CTO. 

O desfecho primário do estudo foi a incidência de eventos adversos cardíacos maiores (MACE, por suas siglas em inglês) durante a hospitalização, que incluíam morte, infarto agudo do miocárdio (IAM), revascularização urgente do vaso tratado, tamponamento cardíaco com necessidade de pericardiocentese ou cirurgia e, finalmente, AVC. 

Definiu-se como pobre qualidade do vaso distal o vaso com um diâmetro inferior a 2 mm como doença aterosclerótica difusa significativa. Foram analisados um total de 10.028 procedimentos de CTO realizados entre 2012 e 2022. A idade média dos pacientes foi de 64 anos e a maioria da população estava composta por homens. Encontrou-se uma má qualidade do vaso distal em 33% dos casos. 

Os pacientes com uma má qualidade do vaso distal apresentaram mais frequentemente antecedentes de ATC prévia, cirurgia de revascularização miocárdica prévia (CRM), diabetes, hipertensão arterial (HTA), dislipidemia, IAM prévio, doença cerebrovascular, insuficiência cardíaca e doença vascular periférica. Além disso, constatou-se que a fração de ejeção desses pacientes era mais baixa. 

Leia também: Avaliação funcional pós-ATC para detectar lesões focais e subexpansão dos stents.

A coronária direita foi a artéria mais tratada (52,8%), ao passo que a descendente anterior foi a menos prevalente no grupo com má qualidade do vaso distal (23,6% vs. 27,2%; p < 0,001). Por outro lado, a artéria circunflexa foi mais frequente nesse mesmo grupo de pacientes (21,5% vs. 17,9%; P < 0.001).

As lesões com má qualidade do vaso distal eram mais complexas, apresentavam maiores escores de J-CTO e PROGRESS-CTO, maior calcificação moderada a severa, ambiguidade do cap proximal, oclusões longas e diâmetro proximal do vaso tratado menor. Em ditas lesões foi necessário usar mais stents. 

Em relação às características do procedimento, observou-se que a estratégia anterógrada foi a mais bem-sucedida em ambos os grupos, com 60% de sucesso no grupo com boa qualidade do vaso distal e 48% no grupo com má qualidade. As lesões com má qualidade do vaso distal requereram acesso retrógrado com mais frequência e foi menos utilizada a técnica de dissecção e reentrada em ditos casos. Além disso, foram empregadas imagens intravasculares em 41,8% dos casos. 

Leia também: Implante valvar percutâneo da valva mitral vs. tratamento médico.

O sucesso técnico, tanto do procedimento como em termos gerais, foi significativamente menor nas CTO com vaso distal de má qualidade (79,9% vs. 86,9%; p < 0,001 e 78,0% vs. 86,8%; P < 0,001, respectivamente). No que se refere ao desfecho primário, observou-se uma maior incidência de MACE intra-hospitalar (2,5% vs. 1,7%; p = 0,01) e perfurações (6,4% vs. 3,7%; p < 0,01) no grupo com lesões distais de má qualidade. Embora nenhuma das diferenças individuais tenha sido estatisticamente significativa, observou-se uma tendência a maior incidência de morte (0,54% vs. 0,28%; p = 0,05) e tamponamento (1,1% vs. 0,78%; p = 0,07) no grupo com má qualidade do vaso. 

Conclusões

A má qualidade do vaso distal em CTO se associa a uma maior complexidade das lesões, maior necessidade de utilizar estratégias retrógradas para cruzar o vaso, menor sucesso técnico e do procedimento, maior incidência de eventos adversos cardíacos maiores intra-hospitalares e de perfuração coronariana, bem como um maior tempo de duração do procedimento e exposição à radiação. Portanto, a qualidade do vaso distal em CTO deveria ser levada em conta no planejamento e realização de uma ATC. 

Dr. Andrés Rodríguez

Dr. Andrés Rodríguez.
Membro do Conselho Editorial da SOLACI.org.

Título Original: Distal Target Vessel Quality and Outcomes of Chronic Total Occlusion Percutaneous Coronary Intervention.

Referência: Salman S. Allana, MD et al J Am Coll Cardiol Intv 2023;16:1490–1500.


Subscreva-se a nossa newsletter semanal

Receba resumos com os últimos artigos científicos

Mais artigos deste autor

SCAI 2026 | Utilização de balão eluidor de sirolimos na síndrome coronariana aguda. Resultados do subestudo do SELUTION DeNovo Trial

A angioplastia coronariana (PCI) com implante de stents eluidores de drogas (DES) continua sendo a estratégia predominante no contexto da síndrome coronariana aguda (SCA)....

Nódulos calcificados e seu tratamento com aterectomia rotacional

Os nódulos calcificados (NC) representam um dos fenótipos mais complexos de tratar no intervencionismo coronariano. Associam-se principalmente com a necessidade de uma nova revascularização...

ATC complexa: maior risco isquêmico e hemorrágico na prática contemporânea

Os avanços em tratamentos farmacológicos, equipamentos e dispositivos têm permitido a realização de intervenções coronarianas percutâneas (ATC) em um número crescente de pacientes com...

Critérios de alto risco isquêmico em síndrome coronariana crônica: prevalência e prognóstico

Apesar dos avanços no manejo da síndrome coronariana crônica (SCC), incluindo o uso generalizado ode stents eluidores de fármacos (DES) e a otimização da...

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here

Artigos Relacionados

Congressos SOLACIspot_img

Artigos Recentes

Tudo o que você precisa saber sobre as Jornadas Panamá 2026

Após 7 anos, a SOLACI retorna ao Panamá para realizar suas 54ª Jornadas Regionais, em conjunto com a Associação Panamenha de Hemodinâmica e Cardiologia...

SCAI 2026 | Arterialização de veias profundas em pacientes com isquemia crítica de membros inferiores sem opção convencional

A isquemia crítica de membros inferiores (ICMI) representa um dos estágios mais avançados da doença arterial periférica (DAP). Em uma proporção significativa de pacientes,...

Para além do TAVI: a reabilitação cardíaca como determinante do resultado clínico

A estenose aórtica é uma patologia em aumento associada ao envelhecimento populacional, com uma prevalência próxima a 3,4% a partir dos 75 anos de...