TCT 2024 – EVOLVED Trial: Estenose aórtica severa e fibrose miocárdica

A estenose aórtica severa é cada vez mais comum, especialmente nos países desenvolvidos, e o tratamento de escolha atualmente é a cirurgia ou o TAVI, segundo o risco do paciente. 

TCT 2024 | Utilización de balones cubiertos de fármacos para el tratamiento de la rama lateral en técnica de stent provisional

Existe, no entanto, um grupo de pacientes assintomáticos para os quais a conduta a seguir é controversa. Embora alguns estudos, como o RECOVERY e o AVATAR, sugiram a cirurgia nesse grupo, a indicação ainda não é clara. 

Além disso, há um subgrupo de pacientes assintomáticos com fibrose miocárdica detectada na ressonância magnética cardíaca, o que demonstrou ser um preditor de má evolução em termos de insuficiência cardíaca e mortalidade. 

O estudo EVOLVED, de design randomizado, prospectivo e multicêntrico, incluiu 224 pacientes com estenose aórtica assintomática e fibrose miocárdica confirmada por ressonância magnética, com uma fração de ejeção superior a 50%. Dentre eles, 113 foram submetidos a uma intervenção precoce (INTV) mediante cirurgia ou TAVI, e o restante recebeu tratamento médico (TM).

O desfecho primário (DP) foi uma combinação de morte por qualquer causa e hospitalização relacionada com a estenose aórtica. 

Lea también: TCT 2024 – EARLY TAVI: estenosis aórtica severa asintomática, ¿Qué conducta debemos tomar?

Os grupos tinham características similares: a idade média era de 75 anos, a maioria da população estava composta por homens e não houve diferenças significativas no que se refere à hipertensão, dislipidemia, diabetes, AVC, doença vascular periférica, CRM ou ATC. Tampouco houve diferenças no tocante ao tratamento médico administrado. 

No eco-Doppler, a velocidade pico aórtica média foi de 4,3 m/s, o gradiente médio foi de 45 mmHg e a área valvar aórtica (AVAO) foi de 0,8 cm². Na ressonância magnética, 28% dos pacientes apresentavam valvas bicúspides, o índice de massa do ventrículo esquerdo (VE) foi de 85 g/m², o índice de volume diastólico de VE foi de 75 ml/m², o índice de volume sistólico do VE foi de 50 ml/m², a fração de ejeção foi de 68%, sendo que 10% dos pacientes tinham sofrido um infarto prévio. 

75% dos pacientes foram submetidos a cirurgia de substituição valvar aórtica, ao passo que o restante foi tratado com TAVI. 

Não houve diferenças significativas em termos de DP (18% vs. 23%; hazard ratio: 0,79 [IC 95%, 0,44-1,43]; p = 0,44) entre os que receberam INTV e TM, respectivamente. Tampouco houve diferenças na mortalidade por qualquer causa (14% vs. 13%; hazard ratio: 1,22 [IC 95%, 0,59-2,51]) nem na hospitalização relacionada com a estenose aórtica (6% vs. 17%; hazard ratio: 0,37 [IC 95%, 0,16-0,88]). A INTV se associou a uma melhora na classe funcional em 12 meses. 

Leia também: Evolução das válvulas balão-expansíveis pequenas.

Em um ano de acompanhamento, 28% dos pacientes que receberam tratamento médico requereram intervenção na valva aórtica, porcentagem que alcançou 80% em 4 anos. 

Conclusão

Em pacientes com estenose aórtica severa assintomática e fibrose miocárdica, a intervenção precoce na valva aórtica não mostrou efeitos na mortalidade por qualquer causa nem na hospitalização relacionada com a estenose aórtica. Esse grupo apresenta um intervalo de confiança amplo no desfecho primário, motivo pelo qual são necessárias mais pesquisas para confirmar os achados aqui relatados. 

Título Original: Early Intervention in Patients With Asymptomatic Severe Aortic Stenosis and Myocardial Fibrosis. The EVOLVED Randomized Clinical Trial. 

Referência: Krithika Loganath , et al. JAMAdoi:10.1001/jama.2024.22730.


Subscreva-se a nossa newsletter semanal

Receba resumos com os últimos artigos científicos

Dr. Carlos Fava
Dr. Carlos Fava
Membro do Conselho Editorial da solaci.org

Mais artigos deste autor

Obstrução coronariana no TAVI: um novo índice volumétrico a ser considerado

A obstrução coronariana durante o TAVI é uma complicação pouco frequente, mas potencialmente devastadora, especialmente em procedimentos valve-in-valve, em anatomias com seios de Valsalva...

EARLY TAVR: impacto da idade nos resultados do TAVI precoce em pacientes assintomáticos

A estenose aórtica severa assintomática representa um desafio clínico cada vez mais frequente. Embora as diretrizes recomendem intervir quando aparecem sintomas ou deterioração da...

T-TEER: para além dos limiares tradicionais de hipertensão pulmonar

A insuficiência tricúspide (IT) significativa se associa à deterioração funcional progressiva, a hospitalizações por insuficiência cardíaca (IC) e ao aumento da mortalidade. Nos últimos...

Assista Novamente: Implicações Clínicas do Intervencionismo Estrutural — TAVI e MitraClip na Prática Diária

A gravação do webinar “Intervencionismo Estrutural: TAVI e MitraClip na Prática Diária” já está disponível no canal do YouTube da SOLACI. A atividade foi...

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here

Artigos Relacionados

Congressos SOLACIspot_img

Artigos Recentes

Obstrução coronariana no TAVI: um novo índice volumétrico a ser considerado

A obstrução coronariana durante o TAVI é uma complicação pouco frequente, mas potencialmente devastadora, especialmente em procedimentos valve-in-valve, em anatomias com seios de Valsalva...

Espaço do Fellow – Caso 2: Infarto Agudo do Miocárdio por Oclusão Simultânea de Duas Artérias Coronárias

Compartilhe sua experiência. Aprenda com especialistas. Cresça como intervencionista. Chega uma nova edição do Cantinho do Fellow, um espaço de intercâmbio acadêmico criado para que...

EARLY TAVR: impacto da idade nos resultados do TAVI precoce em pacientes assintomáticos

A estenose aórtica severa assintomática representa um desafio clínico cada vez mais frequente. Embora as diretrizes recomendem intervir quando aparecem sintomas ou deterioração da...