Re-hospitalização precoce e tardia após a oclusão percutânea do apêndice atrial esquerdo

A oclusão percutânea do apêndice atrial esquerdo (OAAE) representa uma alternativa eficaz para pacientes com fibrilação atrial e contraindicação para anticoagulação. Este estudo avaliou a incidência, os preditores e o impacto clínico das re-hospitalizações precoces (≤ 30 dias) e tardias (31–365 dias) posteriores ao procedimento.

Foram incluídos 1.419 pacientes consecutivos submetidos a OAAE entre 2009 e 2022 em nove hospitais do Canadá e da Europa. A idade média foi de 75,9 ± 8,3 anos, com 36,8% de participação de mulheres. O escore CHA₂DS₂-VASc médio foi de 4,33 ± 1,6 e o HAS-BLED foi de 3,61 ± 1,07. A principal indicação para o procedimento foi a contraindicação para a anticoagulação oral (ACO): 42,78% absoluta (hemorragia intracraniana ou sangramento maior) e 46,3% relativa (anemia ou sangramento digestivo); somente 11,1% não apresentava uma contraindicação formal. Nove pacientes faleceram durante o procedimento ou antes da alta. 

O dispositivo mais utilizado foi o Amplatzer (Cardiac Plug ou Amulet), em 68,6% dos casos, seguido do Watchman (FLX ou 2.5) em 24,6%. A taxa de sucesso foi de 99,4% e a oclusão foi completa em 93,4% dos casos. No momento da alta, 24,1% dos pacientes receberam ACO, 26,7% SAPT, 40,7% DAPT e 4,9% ACO + SAPT. 

Durante o primeiro ano, 257 pacientes (18,1%) foram re-hospitalizados: 46 (3,2%) de forma precoce e 211 (14,9%) de forma tardia. As causas mais frequentes foram os sangramentos (24,5%), principalmente digestivos (15,1%) e intracranianos (2,3%). As causas cardíacas representaram 29,2%, incluindo complicações do dispositivo (6%) e insuficiência cardíaca (20,6%). 

Leia também: Imagens pós-aterectomia rotacional em lesões femoropoplíteas (INSIGHT-JETSTREAM).

Entre os preditores independentes de readmissão foram identificados antecedentes de sangramento gastrointestinal (OR: 2,65; IC de 95%: 1,23–5,71) para a re-hospitalização precoce, e o baixo índice de massa corporal, diabetes, doença renal crônica e insuficiência cardíaca prévia para a tardia. Os eventos neurológicos incluíram AVC (2,2% antes dos 30 dias; 5,2% antes de um ano), AIT (4,7%) e hemorragia intracraniana (2,2% precoce; 2,4% tardia). 

A DAPT foi mais frequente em pacientes que posteriormente foram re-hospitalizados (48,6% vs. 38,9% nos que não foram; p = 0,004). Embora 86% tenham tido uma redução no tratamento nos primeiros seis meses, a DAPT no momento da alta se associou com um maior risco de re-hospitalização global (HR: 1,40; IC de 95%: 1,08–1,80). Ao contrário, a ACO no momento da alta não mostrou associação com maior risco de re-hospitalização. Em dois anos, faleceram 274 pacientes (19,3%), e tanto a re-hospitalização precoce (HR: 2,12; IC de 95%: 1,22-3,70) como a tardia (HR: 1,75; IC de 95%: 1,41–2,17) se associaram com uma maior mortalidade. 

Conclusão

Um de cada cinco pacientes submetidos a oclusão percutânea do apêndice atrial esquerdo é re-hospitalizado durante o primeiro ano, principalmente por sangramento ou insuficiência cardíaca, eventos que se associam com um incremento da mortalidade em dois anos. A adequada seleção de pacientes, uma avaliação integral de comorbidades e uma estratégia individualizada de tratamento antitrombótico são fundamentais para otimizar os resultados clínicos após a OAAE

Título Original: Early and Late Hospital Readmissions After Percutaneous Left Atrial Appendage Closure.

Autores: Kim Hoang Trinh, Jorge Nuche, Ignacio Cruz-González, et al.

Artigo originalRevista Española de Cardiología, Volumen 78, Número 4, 2025, páginas 327–337.


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