Modelos europeos de telemedicina, como el servicio finlandés Medilux, permiten realizar consultas médicas online mediante un cuestionario clínico, sin acudir a una consulta presencial.

CALIPSO: lesões calcificadas e o uso de OCT

A angioplastia coronariana (PCI) em lesões calcificadas continua sendo um dos cenários mais desafiadores da prática diária, já que ditas lesões predispõem a uma subexpansão do stent, à má aposição, a perfurações e a uma maior taxa de reintervenção. 

Em tal contexto, a tomografia de coerência ótica (OCT) se consolidou como uma ferramenta fundamental, capaz de quantificar a carga e a espessura do cálcio, orientar uma adequada preparação da placa, otimizar o tamanho do stent e melhorar a estratégia de implante. Entretanto, a evidência randomizada sobre PCI guiada por OCT em doença calcificada continua sendo limitada. 

O estudo CALIPSO, publicado por Amabile N. et al., teve como objetivo avaliar se a preparação da placa, a seleção do stent e a otimização pós-implante pode possibilitar uma maior expansão luminal (medida como área mínima do stent, MSA) em comparação com a estratégia de guiar angiograficamente de forma padrão em contexto de lesões calcificadas. 

O estudo foi aberto, multicêntrico, com randomização 1:1, realizado em 12 centros da França. Foram incluídos pacientes com síndrome coronariana crônica (SCC) e uma lesão alvo com calcificação angiograficamente moderada ou severa. Em ambos os ramos procedeu-se a uma aquisição de OCT pós-PCI para avaliar a MSA.

Leia também: Fibrilação Atrial e Doença Renal Crônica: Resultados de Diferentes Estratégias de Prevenção de Acidente Vascular Cerebral.

Foram analisados 134 pacientes para a avaliação do desfecho principal (65 OCT; 69 angiografia). O desfecho primário mostrou uma vantagem significativa para OCT: a MSA média foi de 6,5 mm² vs. 5,0 mm² com angiografia (p < 0,001). A proporção de pacientes com MSA ≤ 4,5 mm² foi significativamente menor com OCT (8% vs. 36%; p < 0,001). Por sua vez, a área média do stent foi superior com OCT (8,4 vs. 7,4 mm²; p < 0,001), diferenças que se mantiveram consistentes nas subanálises segundo severidade e extensão do cálcio. 

A estratégia guiada por OCT promoveu, ademais, um uso mais precoce e dirigido de dispositivos de modificação da placa: a litotripcia intravascular (IVL) foi empregada como primeira linha em 46% dos casos (vs. 12% no grupo angiográfico; p = 0,02). A incidência de complicações periprocedimento foi similar entre os grupos, embora com uma tendência a maior má aposição no grupo angiográfico. 

Leia também: Segurança da drenagem profilática de líquido cefalorraquidiano na reparação aberta e endovascular de aneurismas aórticos torácicos e toracoabdominais.

Em 43% dos casos do ramo OCT, a primeira avaliação pós-PCI motivou manobras adicionais que incrementaram a MSA média de 5,9 a 7,2 mm² (p < 0,001). Vale mencionar que mesmo antes de ditas manobras, os valores de MSA já eram superiores em comparação com a estratégia guiada por angiografia. 

Conclusão

Em pacientes com SCC e lesões calcificadas moderadas ou severas, a estratégia de PCI guiada por OCT com algoritmos padronizados forja uma maior expansão luminal (MSA) do que a estratégia angiográfica. O estudo CALIPSO reforça o benefício da adoção sistemática da imagem intracoronariana como ferramenta chave para uma adequada preparação da placa e um ótimo implante do stent no cenário clínico complexo aqui descrito.

Título original: OCT vs Angiography for Guidance of Percutaneous Coronary  Intervention of Calcified Lesions The CALIPSO Randomized Clinical Trial

Referência: Amabile N, Rangé G, Landolff Q, Bressollette E, Meneveau N, Lattuca B, Levesque S, Boueri Z, Adjedj J, Casassus F, Belfekih A, Veugeois A, Souteyrand G, Honton B. OCT vs Angiography for Guidance of Percutaneous Coronary Intervention of Calcified Lesions: The CALIPSO Randomized Clinical Trial. JAMA Cardiol. 2025 Jul 1;10(7):666-675. doi: 10.1001/jamacardio.2025.0741. PMID: 40305015; PMCID: PMC12044539.


Subscreva-se a nossa newsletter semanal

Receba resumos com os últimos artigos científicos

Dr. Omar Tupayachi
Dr. Omar Tupayachi
Membro do Conselho Editorial do solaci.org

Mais artigos deste autor

Acesso radial complexo: um protocolo de quatro passos para superar loops e tortuosidades

O acesso radial é, atualmente, a estratégia de escolha para a cinecoronariografia e para as intervenções coronarianas percutâneas devido a sua menor taxa de...

SCAI 2026 | Utilização de balão eluidor de sirolimos na síndrome coronariana aguda. Resultados do subestudo do SELUTION DeNovo Trial

A angioplastia coronariana (PCI) com implante de stents eluidores de drogas (DES) continua sendo a estratégia predominante no contexto da síndrome coronariana aguda (SCA)....

Nódulos calcificados e seu tratamento com aterectomia rotacional

Os nódulos calcificados (NC) representam um dos fenótipos mais complexos de tratar no intervencionismo coronariano. Associam-se principalmente com a necessidade de uma nova revascularização...

ATC complexa: maior risco isquêmico e hemorrágico na prática contemporânea

Os avanços em tratamentos farmacológicos, equipamentos e dispositivos têm permitido a realização de intervenções coronarianas percutâneas (ATC) em um número crescente de pacientes com...

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here

Artigos Relacionados

Congressos SOLACIspot_img

Artigos Recentes

Acesso radial complexo: um protocolo de quatro passos para superar loops e tortuosidades

O acesso radial é, atualmente, a estratégia de escolha para a cinecoronariografia e para as intervenções coronarianas percutâneas devido a sua menor taxa de...

Oclusão percutânea de regurgitação paravalvar em pacientes de alto risco: resultados clínicos e impacto da regurgitação residual

A regurgitação paravalvar (PVL, por suas siglas em inglês) é uma complicação relativamente frequente após a substituição valvar (5–18% global; 2–10% em posição aórtica...

Tudo o que você precisa saber sobre as Jornadas Panamá 2026

Após 7 anos, a SOLACI retorna ao Panamá para realizar suas 54ª Jornadas Regionais, em conjunto com a Associação Panamenha de Hemodinâmica e Cardiologia...