Redução de eventos adversos cardiovasculares: bivalirudina ou heparina?

bivalirudina ou heparina eventos adversos cardiovascularesO estudo MATRIX não pôde estabelecer uma vantagem clara da bivalirudina sobre a heparina não fracionada no que diz respeito à redução de eventos adversos cardiovasculares maiores (MACE) ou event0s adversos cardiovasculares maiores com trombólise em pacientes cursando uma síndrome coronária aguda que recebem angioplastia.

 

Esta nova análise confirma a falta de diferença em eventos isquêmicos e trombóticos de pacientes com síndromes coronárias agudas com e sem supradesnivelamento do segmento ST.

 

A bivalirudina mostrou em outros estudos um benefício em mortalidade, mas dito benefício alcança somente os pacientes com supradesnivelamento do segmento ST.

 

Os resultados do estudo MATRIX foram originalmente apresentados no congresso do ACC 2015 e agora este subestudo pré-especificado foi publicado recentemente no BMJ analisando as diferenças entre síndromes com supradesnivelamento do segmento ST e sem supradesnivelamento do segmento ST.

 

Compararam-se os resultados de 4.010 pacientes que se apresentaram com supradesnivelamento do segmento ST e 3.203 que se apresentaram sem elevação. A decisão de agregar um inibidor da glicoproteína IIBIIIA à heparina ficou a critério do operador e atingiu 30,7% dos pacientes com elevação do segmento ST e 10,9% dos pacientes sem elevação do segmento ST.

 

Entre os pacientes com elevação do ST observou-se uma taxa de MACE de 5,9% no grupo bivalirudina vs. 6,5% no grupo heparina, diferença que não alcança a significância estatística.

 

Naqueles pacientes sem supradesnivelamento do ST, a taxa de MACE foi de 15,9 para a bivalirudina e de 16,4 para a heparina, o que também não é estatisticamente diferente.

 

Para o desfecho de MACE com trombólise (uma combinação de sangramento maior mais os componentes de MACE (morte, infarto ou AVC), também não se encontraram diferenças entre bivalirudina e heparina em todo o espectro de síndromes coronárias agudas.

 

O que sim, foi observado, foi uma redução do sangramento com bivalirudina (refletindo o que já tinha sido encontrado em trabalhos anteriores), mas, diferentemente do que já havia sido encontrado, não houve um excesso de trombose do stent nas primeiras horas. Isto certamente está relacionado com o fato de o protocolo permitir estender a infusão da droga em doses plenas por quatro horas e a uma dose maior até as seis horas.

 

Conclusão

A bivalirudina, em comparação com a heparina e inibidores da glicoproteína provisionais, não resultou em uma redução dos eventos adversos cardiovasculares ou dos eventos clínicos com trombólise associada em pacientes com ou sem supradesnivelamento do segmento ST.

 

Título original: Bivalirudin or unfractionated heparin in patients with acute coronary syndromes managed invasively with and without ST elevation (MATRIX).

Referência: Leonardi S et al. BMJ. 2016; Epub ahead of print.


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