A angioplastia coronariana percutânea (ATC) em pacientes com síndrome coronariana aguda (SCA) reduziu a mortalidade na fase aguda. No entanto, a SCA recorrente e a falha do vaso tratado (TVF) continuam sendo motivo de análise clínica. Um estudo prévio informou que aproximadamente 7% dos pacientes com SCA desenvolveram TVF no período de um ano. Em sua fase crônica, ditos eventos coronarianos ocorrem com frequência em pacientes com lesões em bifurcação e lesões muito calcificadas.

As imagens intravasculares, incluindo a tomografia de coerência ótica (OCT) e a ecografia intravascular (IVUS), tornaram-se modalidades eficazes para melhorar a avaliação das lesões e a precisão do procedimento. A ATC guiada por imagens melhora a caracterização da lesão, permite a colocação e o implante preciso do stent, além de ajudar a detectar complicações como a má aposição da borda, que com frequência passam despercebidas quando é utilizada somente a angiografia para guiar o procedimento.
Seguindo as recomendações das diretrizes para a síndrome coronariana crônica, o uso de imagens intravasculares em pacientes com SCA com lesões complexas passou a receber recomendação Classe I nos guias atuais. Um recente ensaio controlado randomizado (ECA) de grande escala informou que a ATC guiada por IVUS em pacientes com SCA reduziu a falha do vaso tratado em comparação com a ATC guiada unicamente por angiografia. No entanto, a evidência que respalda a realização da ATC com o auxílio de imagens intravasculares na prática clínica ainda é ainda limitada.
O objetivo deste estudo retrospectivo foi investigar a associação entre a ATC guiada por OCT e IVUS em pacientes com SCA, bem como a recorrência do evento.
O desfecho primário foi a recorrência de SCA após a alta hospitalar e durante um seguimento de 3 anos. O desfecho secundário foi um composto de morte por todas as causas e recorrência da SCA.
ATC guiada por OCT e IVUS em síndrome coronariana aguda: redução significativa na recorrência da SCA em 3 anos
Foram analisados 355.811 pacientes, dentre os quais a maioria se encontrava na faixa etária de 70 a 79 anos, tendo sido o sexo masculino prevalente entre os pacientes com SCA. Realizou-se ATC guiada por angiografia, ATC guiada por OTC e ATC guiada por IVUS em 32.044, 22.748 e 297.944 pacientes, respectivamente.
Durante o período de estudo as taxas de ATC guiadas por OCT e IVUS aumentaram de 4,7% a 6,9% e de 77,0% a 87,9%, respectivamente. A ATC guiada por OCT se associou com um menor risco de recorrência de SCA (HR: 0,81; IC de 95%: 0,71–0,91; p < 0,001). O mesmo pode ser dito no caso das ATCs guiadas por IVUS, isto é, também se associaram com um menor risco de recorrência do SCA (HR: 0,76; IC de 95%: 0,71–0,82; p < 0,001).
Imagens intravasculares na angioplastia do SCA: OCT e IVUS se associam com menor recorrência de eventos
No estudo, a ATC guiada por OCT e IVUS se associou com uma redução da recorrência de SCA. Ditos achados ressaltam os benefícios da ATC guiada por imagens intravasculares no manejo da SCA. Em conclusão, em pacientes com SCA, um maior uso de imagens intravasculares poderia se traduzir em um benefício clínico ao reduzir a recorrência de eventos coronarianos agudos.
Título Original: Intravascular imaging-guided percutaneous coronary intervention in patients with acute coronary syndrome.
Referência: Koki Takegawa et al EuroIntervention 2026;22:e292-e300.
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