Angioplastia para a disfunção erétil

Título original: Zotarolimus-Eluting Peripheral Stents for the Treatment of Erectile Dysfunction in Subjects With Suboptimal Response to Phosphodiesterase-5 Inhibitors. Referência: Jason H. Rogers et al. J Am Coll Cardiol 2012. Article in press

Até 52% dos homens com idade entre 40-70 anos apresentam algum grau de disfunção erétil e, destes, 50% obtêm uma resposta abaixo do ideal ao tratamento com sildenafil.  A doença cardíaca e a disfunção erétil têm fatores de risco em comum; de fato, 70% dos homens com doença cardíaca documentada apresentam disfunção eréctil. 

Visto que a angioplastia com balão demonstrou algum benefício, pelo menos no curto prazo, foi concebido este trabalho pela primeira vez em homens para avaliar a segurança e eficácia do stent liberador de zotarolimus no tratamento da disfunção erétil com resposta abaixo do ideal ao sildenafil (ZEN trial).

Os principais critérios de inclusão foram a resposta insuficiente ao sildenafil, a redução do fluxo na artéria cavernosa por Doppler e uma lesão grave em uma ou ambas as artérias pudendas internas por angiografia. Foi utilizado para comparação o Índice internacional para a disfunção erétil que já foi validado em diversos estudos antes e após o procedimento.

O desfecho primário de segurança foram os eventos adversos em 30 dias e o de eficácia a melhora no Índice Internacional de disfunção em 3 meses. Foram avaliados 89 pacientes, dos quais finalmente 30 satisfizeram todos os critérios e passaram pela angioplastia à artéria pudenda interna com implante de stent Resolute liberador de Zotarolimus (Medtronic, Santa Rosa, Califórnia).

Todos os pacientes alcançaram o desfecho primário de segurança em 30 dias e tampouco apresentaram eventos adversos no acompanhamento em 6 meses.

Em três meses, 68,3% dos pacientes apresentaram melhora da disfunção erétil, segundo o índice internacional e esta foi mantida em seis meses. Observou-se por Doppler um correspondente aumento do fluxo peniano. A reestenose binária em 6 meses foi de 34,4%.

Conclusão: 

A angioplastia de a artéria pudenda interna aterosclerótica com stent liberador de Zotarolimus em pacientes com resposta abaixo do ideal ao sildenafil é segura e viável podendo aumentar o fluxo peniano e melhorar a disfunção erétil.

Comentário editorial: 

A ausência de grupo de controle assim como a pequena e muito selecionada população são limitações do estudo. O Índice Internacional de disfunção erétil, que embora tenha sido validado, tem múltiplos parâmetros subjetivos em pacientes que não eram inconscientes do tratamento que receberam. Também chama a atenção a diferença em reestenose binária da artéria pudenda interna comparada com uma coronária de igual diâmetro com o mesmo dispositivo. Apesar de tudo isso acima, a população que poderia se beneficiar do procedimento é muito maior do que pensamos especialmente dada a ausência de eventos adversos.

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