Recanalizar CTO de vaso não responsável pós-PCI primária: sim ou não?

Recanalizar CTO de vaso não responsável pós-PCI primáriaAproximadamente 10 a 15% dos pacientes que são admitidos cursando um infarto agudo do miocárdio com supradesnivelamento do segmento ST apresentam, concomitantemente, uma oclusão total crônica em uma artéria não responsável, fato que se associa com um aumento da morbidade e da mortalidade.

 

O estudo EXPLORE (Evaluating Xience and Left Ventricular Function in Percutaneous Coronary Intervention on Occlusions After ST-Elevation Myocardial Infarction) avaliou se os pacientes que são admitidos cursando um infarto agudo do miocárdio e apresentam concomitantemente uma oclusão total crônica se beneficiariam com a recanalização de dito vaso pouco tempo após a angioplastia primária.

 

Entre novembro de 2007 e abril de 2015 foram incluídos 304 pacientes cursando um infarto agudo do miocárdio com supradesnivelamento do segmento ST submetidos, em 14 centros da Europa e do Canadá, a angioplastia primária na artéria responsável e que tinham, concomitantemente, uma oclusão total crônica.

 

Um total de 150 pacientes foram randomizados a tentativa de recanalização da oclusão total pouco tempo após a angioplastia primária e os restantes 154 pacientes foram randomizados a receber um tratamento conservador sem tentativa de recanalização.

 

O desfecho primário foi a função ventricular esquerda e o volume de fim de diástole por ressonância magnética nos quatro meses posteriores às intervenções.

 

A taxa de sucesso da tentativa de recanalização foi de 77%.

 

Em quatro meses, a função ventricular esquerda foi similar entre os dois grupos:

 

Recanalização: 44,1 ± 12,2%

Grupo conservador: 44,8 ± 11,9%

[p = 0,60]

 

Algo similar ocorreu com o volume de fim de diástole:

Recanalização: 215,6 ± 62,5 ml

Grupo conservador: 212,8 ± 60,3 ml

[p = 0,70]

 

A análise de subgrupos mostrou que os pacientes com oclusões totais na artéria descendente anterior se beneficiaram com uma melhora da função ventricular após a recanalização em comparação com os pacientes que foram submetidos a tratamento conservador.

 

Pacientes com oclusões totais na artéria descendente anterior: 47,2 ± 12,3%

Pacientes submetidos a tratamento conservador: 40,4 ± 11,9%

[p = 0,02]

 

Não foram constatadas diferenças em termos de eventos coronários adversos nos quatro meses de seguimento (5,4% vs. 2,6%; p = 0,25).

 

Conclusão

A recanalização de uma oclusão total crônica de um vaso não responsável dentro da semana posterior a uma angioplastia primária foi factível e segura. No entanto, não ofereceu benefícios em termos de melhora da função ventricular ou do volume de fim de diástole comparando-se com a angioplastia primária associada a tratamento conservado da oclusão total.

 

A análise de subgrupos deve ser convalidada com novos estudos.

 

Título original: Percutaneous Intervention for Concurrent Chronic Total Occlusions in Patients With STEMI. The EXPLORE Trial.

Referência: José P.S. Henriques et al. J Am Coll Cardiol. 2016;68(15):1622-1632.


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