MitraClip: a frequência e o ritmo cardíaco têm impacto em seus resultados?

Gentileza do Dr. Carlos Fava.

MitraClip: a frequência e o ritmo cardíacoA fibrilação atrial (FA) e o aumento na frequência cardíaca (> 70 BPM) demonstraram incrementar o risco na cirurgia de insuficiência mitral (IM). O MitraClip demonstrou benefício nos pacientes de alto risco, mas sua relação com as alterações do ritmo não está dilucidada.

 

Foram analisados 760 pacientes, dos quais 315 (52,4%) se encontravam em ritmo sinusal (RS) e 286 (47,6%) em FA. Dos que apresentavam RS, 365 (46,8%) exibiam uma frequência cardíaca ≤ 70 BPM e 404 (53,2%) > 70 BPM.

 

Os pacientes com ritmo de FA apresentavam maior idade, deterioro moderado da função ventricular e diâmetro atrial esquerdo maior. Por outro lado, aqueles como RS apresentavam maior presença de infarto prévio, diabetes (especialmente naqueles com frequência cardíaca < 70), deterioro severo da função ventricular esquerda e maior diâmetro de fim de diástole do ventrículo esquerdo.

 

O sucesso do procedimento foi de 97,5%, e não se apresentaram diferenças entre os subgrupos quanto a:

  • tempo de procedimento,
  • fluoroscopia,
  • quantidade de clips implantados,
  • complicações intraprocedimento.

 

No período intra-hospitalar não foram observadas diferenças nos dias de internação, embora tenha havido uma tendência de menos dias entre aqueles que apresentavam RS e tinham frequência cardíaca < 70 BPM.

 

Em 30 dias, não houve diferença em mortalidade (RS 3%, FA 5,8%, RS ≤ 70 4,3% e RS > 70 4,5%). O único preditor de mortalidade foi um valor de creatinina > 2 mg/dl.

 

Em um ano, a mortalidade foi maior no grupo FA (25,1% vs. 16,5%; p < 0,05) sem haver diferença no resto dos eventos nem nas re-hospitalizações.

 

Conclusão

Os dados deste registro (que comparam uma série grande não selecionada do “mundo real” em pacientes com insuficiência mitral que receberam MitraClip) sugerem que a intervenção pode ser realizada de forma segura e efetiva e reduz a regurgitação mitral na maioria dos pacientes sem considerar o ritmo de base ou a frequência cardíaca. Enquanto que em 12 meses a sobrevida foi maior para aqueles em RS, o MACCE e a melhora clínica não diferiu entre os subgrupos.

 

Comentário editorial

Esta análise do registro alemão nos mostra que o MitraClip outorga benefício em pacientes de alto risco de forma independente do ritmo ou da frequência cardíaca, diferentemente do que ocorre com a cirurgia da valva mitral.

 

É importante tentar intervir antes que comece o deterioro da função renal, já que isso influi de forma negativa nos resultados.

 

Os resultados aqui apresentados devem ser avaliados em estudos de maior magnitude.

 

Gentileza do Dr. Carlos Fava. Fundação Favaloro, Buenos Aires, Argentina.

 

Título original: Effects of atrial fibrillation and heart rateo in percutaneous mitral valve repair with MitraClip: results from the TRAnscatheter Mitral valve Intervention (TRAMI) registry.

Referência: Alexnader Jabs et al. EuroIntervention 2017;12:1697-1705.


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