Isquemia crítica de membros inferiores: as re-hospitalizações frequentes revelam a magnitude do problema

As re-hospitalizações em 6 meses nos pacientes com isquemia crítica de membros inferiores é de aproximadamente 50% dos casos, sendo a maioria delas não planejadas.

 

Esse número verdadeiramente alarmante se agrava se levarmos em conta que somente uma parte de ditas re-hospitalizações se relacionam com problemas vasculares. Há muitas outras que ocorrem por comorbidades, como infecções ou diabete, que geralmente se associam à isquemia crítica.

Isquemia crítica de membros inferiores: as re-hospitalizações frequentes revelam a magnitude do problema

O que este trabalho não diz é que além de revascularizar o membro inferior afetado, também temos que nos assegurar que todas as comorbidades estejam sendo bem tratadas.

 

Para obter os dados aqui apresentados, foram analisados 212.241 pacientes com isquemia crítica de membros inferiores tratados entre 2009 e 2013.

 

Em 30 dias e em 6 meses as reinternações por qualquer causa foram de 27,1% e de 56,6%, respectivamente. Quase um quarto das re-hospitalizações dentro dos 30 dias e quase a metade das que ocorreram dentro dos 6 meses não foram planejadas.


Leia também: Isquemia crítica de membros inferiores: O eritema da ferida é o objetivo mais importante”


 Um terço das reinternações não planejadas ocorreram principalmente por causas relacionadas à isquemia crítica ou a complicações pós-procedimento, enquanto que o restante se relacionou a causas não vasculares como a septicemia ou a diabete.

 

Os pacientes que receberam revascularização cirúrgica durante a internação índice estiveram mais propensos a ser reinternados que aqueles que foram revascularizados de maneira endovascular.

 

Quanto maior a duração da internação índice, maiores as chances de reinternação, o que, por sua vez, se associou a uma maior mortalidade. Uma hospitalização inicial mais prolongada poderia ser explicada simplesmente por pacientes mais doentes que, por outro lado, têm mais probabilidade de serem reinternados. Esta deveria ser uma forma muito simples de predizer que tipo de pacientes requerem um seguimento muito mais próximo para evitar as reinternações não planejadas.

 

Conclusão

As reinternações em pacientes com isquemia crítica de membros inferiores são muito frequentes e a maioria delas não são planejadas. Há uma grande quantidade de fatores demográficos, clínicos e socioeconômicos que podem ter um papel importante na predição deste tipo de eventos.

 

Título original: Burden of readmissions among patients with critical limb ischemia.

Referência: Agarwal S et al. J Am Coll Cardiol. 2017; 69:1897-1908.


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