VALIDATE-SWEDEHEART: a bivalirudina perde cada vez mais terreno

Outro trabalho mais que não encontra vantagem da bivalirudina sobre a heparina como monoterapia, tanto em desfechos de eficácia (morte e infarto) quanto em desfechos de segurança (sangramento) em pacientes cursando uma síndrome coronariana aguda com ou sem supradesnivelamento do segmento ST.

VALIDATE-SWEDEHEART: la bivalirudina pierde cada vez más terreno

O estudo VALIDATE-SWEDEHEART, apresentado no ESC e publicado simultaneamente no New England Journal of Medicine, randomizou 6.000 pacientes para poder responder definitivamente à pergunta sobre a utilidade clínica da bivalirudina sobre a heparina.

 

Embora os estudos iniciais tenham se mostrado a favor da bivalirudina, à medida que foram sendo desenhados trabalhos mais parecidos à prática diária (uso “bail out” de inibidores da glicoproteína IIBIIIA, inibidores mais potentes do P2Y12 e acesso radial) a bivalirudina foi perdendo terreno.


 

Leia também: “O acesso radial deixa a bivalirudina sem margem de benefício”.


Foram randomizados 3.005 pacientes cursando um infarto com supradesnivelamento do segmento ST e 3.001 sem supradesnivelamento a bivalirudina ou heparina como monoterapia. Excluíram-se os pacientes que tinham recebido inibidores da glicoproteína cujo uso já estava formulado, embora tenha sido permitido o uso de emergência (“bail out”).

 

Por protocolo recomendou-se continuar com a infusão de bivalirudina após a angioplastia. De fato, dois terços dos pacientes assim o fizeram.

 

180 dias após o procedimento, o desfecho primário ocorreu em 12,3% dos pacientes do grupo bivalirudina vs. 12,8% do grupo heparina, uma diferença não significativa que foi consistente para ambos os tipos de infarto.


 

Leia também: La CTO en el infarto agudo de miocardio aumenta la mortalidad a largo plazo


Também não houve diferença em infarto, sangramento maior, trombose do stent ou morte.

 

A recomendação para utilizar o acesso radial (90% da população) e a baixa taxa de uso de inibidores da glicoproteína fez com que a taxa de sangramento fosse realmente baixa em ambos os grupos, deixando a bivalirudina sem margem para mostrar alguma vantagem. Para contextualizar, o estudo HORIZONS-AMI utilizou o acesso radial em menos de 5% da população e os inibidores da glicoproteína eram indicados por protocolo a todo o grupo heparina, o que marcou uma diferença em sangramento a favor da bivalirudina. Atualmente o protocolo do HORIZONS-AMI se encontra muito longe da prática clínica diária.

 

Título original: Bivalirudin versus heparin monotherapy in myocardial infarction.

Apresentador: Erlinge D.


Subscreva-se a nossa newsletter semanal

Receba resumos com os últimos artigos científicos

Sua opinião nos interessa. Pode deixar abaixo seu comentário, reflexão, pergunta ou o que desejar. Será mais que bem-vindo.

Mais artigos deste autor

Registros Dual-Prep: aterectomia e IVL em calcificação coronariana severa

A calcificação coronariana severa continua sendo um dos cenários mais complexos da angioplastia coronariana. Embora a aterectomia rotacional (AR) ou orbital e a litotripsia...

Heparina pré-hospitalar no SCACEST: uma estratégia segura que proporciona maior reperfusão precoce

A reperfusão precoce continua sendo o principal determinante prognóstico nos pacientes com infarto agudo do miocárdio com elevação do ST (SCACEST). Embora a angioplastia...

Rupturas de placa en artérias não culpadas: seguimento com imagens intravasculares

A ruptura de placa continua sendo um dos mecanismos fisiopatológicos mais importantes nas síndromes coronarianas agudas. No entanto, nem todas as rupturas se manifestam...

OCT e placas de alto risco: um preditor fundamental de eventos recorrentes após um infarto do miocárdio

Após um infarto do miocárdio (IM), as lesões não culpadas costumam ser diferidas quando não apresentam limitação significativa do fluxo coronariano (FFR negativo). No...

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here

Artigos Relacionados

Congressos SOLACIspot_img

Artigos Recentes

Registros Dual-Prep: aterectomia e IVL em calcificação coronariana severa

A calcificação coronariana severa continua sendo um dos cenários mais complexos da angioplastia coronariana. Embora a aterectomia rotacional (AR) ou orbital e a litotripsia...

Resultados hemodinâmicos do reparo borda a borda em insuficiência mitral degenerativa e funcional

O reparo mitral transcateter borda a borda (M-TEER) se consolidou como uma opção terapêutica para a valvopatia mitral. Entre as técnicas disponíveis, o M-TEER...

Heparina pré-hospitalar no SCACEST: uma estratégia segura que proporciona maior reperfusão precoce

A reperfusão precoce continua sendo o principal determinante prognóstico nos pacientes com infarto agudo do miocárdio com elevação do ST (SCACEST). Embora a angioplastia...