Com vocês, o inimigo número um da angioplastia: a diabetes

Aproximadamente 25% dos pacientes com doença de múltiplos vasos que são submetidos à cirurgia de revascularização miocárdica ou à angioplastia têm diagnóstico de diabetes.

Neste subgrupo de pacientes o benefício para a cirurgia em termos de mortalidade é algo que já foi provado: no estudo BARI (Bypass Angioplasty Revascularization Investigation) os pacientes que receberam angioplastia tiveram quase o dobro de mortalidade em 5 anos em comparação com os que foram operados, e no mais recente estudo, denominado FREEDOM (Future Revascularization Evaluation in Patients with Diabetes Mellitus), também se observou uma redução de eventos combinados a favor da cirurgia. Para finalizar, o subgrupo de pacientes diabéticos do SYNTAX (Synergy Between Percutaneous Coronary Intervention With TAXUS and Cardiac Surgery) também se beneficiou da cirurgia com uma menor mortalidade.

 

Toda essa evidencia leva os guias a recomendarem a cirurgia para revascularizar os pacientes diabéticos com doença de múltiplos vasos. O problema é que nem todos os diabéticos são iguais e a enorme maioria dos avaliados nos anteriores estudos tinham diagnóstico de debates tipo 2.


Leia também: Benefício adicional do bypass radial na cirurgia de revascularização miocárdica”.


O tipo de diabetes pode ser um dado relevante considerando que os pacientes com diabetes tipo 1 têm um prognóstico relativamente negativo após a cirurgia. Já os pacientes com diabetes tipo 2 têm um prognóstico pós-cirurgia que se assemelha bastante ao dos pacientes não diabéticos.

 

Este trabalho teve o objetivo de estudar especificamente os pacientes com diabetes tipo 1 com lesão de múltiplos vasos para encontrar a melhor estratégia de revascularização em dita coorte.

 

Foram incluídos 683 pacientes diabéticos tipo 1 com lesão de múltiplos vasos que receberam angioplastia ou cirurgia e nos quais se realizou um segmento de 10,6 anos. Dita população foi tomada do registro SWEDEHEART.


Leia também: CLOSE Trial: FOP de alto fluxo associado a ASIA que recebem dispositivo de oclusão têm menos recorrência de AVC”.


No período de seguimento, 53% dos pacientes do grupo cirurgia e 45% do grupo angioplastia tinham morrido, resultando este evento similar em ambos os grupos. No entanto, ao analisar a morte de causa coronariana, por infarto agudo do miocárdio e nova revascularização, observou-se um claro benefício a favor da cirurgia.

 

Conclusão

A cirurgia de revascularização miocárdica mostrou benefícios em termos de moralidade por causa coronariana, por infarto agudo do miocárdio e por nova revascularização em pacientes com diabetes tipo 1 com doença de múltiplos vasos.

 

Comentário editorial

A natureza observacional do estudo representa sua maior limitação, já que houve grandes diferenças entre os pacientes que receberam um ou outra estratégia de revascularização (para além de todos os ajustes realizados). Muitos pacientes do grupo angioplastia se encontravam muito doentes para enfrentar a cirurgia, o que se evidenciou na taxa de AVC prévio, de insuficiência cardíaca, de câncer ativo, de insuficiência renal terminal, etc.

 

Apesar de suas limitações, esta é a maior coorte de diabéticos tipo 1 com doença de múltiplos vasos estudada e seguida por um período superior a dez anos, motivo pelo qual a cirurgia vai continuar sendo o padrão-ouro para ditos pacientes por muito tempo mais.

 

Título original: PCI Versus CABG in Patients With Type 1 Diabetes and Multivessel Disease.

Referência: Thomas Nyström et al. J Am Coll Cardiol 2017. Article in press.


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