Revascularização híbrida ou cirurgia convencional, a história ainda está sendo escrita

A revascularização híbrida parece ter resultados similares aos da cirurgia de revascularização miocárdica convencional em 5 anos, embora o publicado até o momento não tenha suficiente poder para proporcionar uma resposta definitiva.

revascularizacion incompleta en cirugia no cardiacaEste novo trabalho que será publicado em breve no J Am Coll Cardiol Intv tem resultados promissores em pacientes selecionados com doença de múltiplos vasos, mas será necessário esperar estudos randomizados com o suficiente poder estatístico para que possamos incorporar a revascularização híbrida em nosso arsenal terapêutico.

 

Os resultados em um ano do POL-MIDES (HYBRID) mostraram a factibilidade da revascularização híbrida em 200 pacientes com lesão na artéria descendente anterior e uma lesão > 70% em algum outro vaso epicárdico maior. Todos os pacientes eram candidatos a cirurgia ou angioplastia.


Leia também: Devemos fazer a melhor revascularização coronariana antes do TAVI.


Com esta nova publicação chegam os resultados de 5 anos que mostram uma mortalidade similar entre a revascularização híbrida e a cirurgia de revascularização miocárdica convencional (6,4% vs. 9,2%; p = 0,69), assim como a taxa de infarto agudo do miocárdio (4,3% vs. 7,2%; p – 0,30), a taxa de nova revascularização (37,2% vs. 45,4%; p = 0,38), AVC (2,1% vs. 4,1%; p = 0,35) ou eventos combinados (45,2% vs. 45,4%; p = 0,39).

 

Ao estratificar os pacientes por tercis de escore de Syntax ou pelo risco no EuroSCORE também não foram observadas diferenças entre as duas estratégias.

 

A realidade é que a técnica requer certa curva de aprendizagem por parte dos cirurgiões, curva que nem todos estão dispostos a transitar, especialmente à luz da ausência de diferenças significativas na comparação com a cirurgia convencional.


Leia também: A revascularização completa é benéfica no IAM com choque cardiogênico.


À afirmação anterior somam-se limitações logísticas como a ausência de salas híbridas vs. realizar o procedimento em etapas, a cooperação entre a equipe de cirurgiões intervencionistas, o risco de sangramento devido à necessidade de agentes antiplaquetários e antitrombóticos e a dificuldade de fazer o balanço custo/efetividade. Diante de tal panorama, o uso de revascularização híbrida continuará sendo baixo enquanto não houver evidência mais contundente.

 

Título original: Hybrid coronary revascularization in selected patients with multivessel disease – 5 year clinical outcomes of the prospective randomized pilot study.

Referência: Tajstra M et al. J Am Coll Cardiol Intv 2018; Epub ahead of print.


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