A anatomia de alto risco desafia os resultados do ISCHEMIA

Segundo esta recente análise publicada no JAHA, os pacientes com angina crônica estável e anatomia de alto risco se beneficiam da revascularização a longo prazo vs. tratamento conservador. 

Ischemia

Isso vai contra o trabalho apresentado por Reynolds H et al no congresso da AHA 2020. O trabalho do Dr. Reynolds foi um subestudo do ISCHEMIA no qual se observou que a complexidade anatômica tinha impacto no prognóstico mas que este não podia ser modificado pela revascularização. 

O ISCHEMIA, que foi publicado no NEJM, mais todos os seus subestudos representaram uma ruptura com tudo o que acreditávamos saber sobre cardiopatia isquêmica crônica. No entanto, vão surgindo trabalhos que tentam redirecionar as estratégias.  

Foram incluídos 9016 pacientes com cardiopatia isquêmica crônica e anatomia de alto risco (3 vasos com lesão > 70%, tronco de coronária esquerda com lesão > 50% ou uma combinação de ambos).

O desfecho primário de morte por qualquer causa ou infarto agudo foi comparado entre aqueles que receberam revascularização e os que foram tratados de forma conservadora. 


Leia também: Diabetes e doença vascular periférica: velhas drogas com nova evidência.


Do total, 5487 (61%) receberam revascularização mediante cirurgia de revascularização (n = 3312) ou angioplastia (n = 2175), ao passo que os restantes 3529 (39%) foram manejados de forma conservadora. 

A estratégia de revascularização se associou com uma redução dos infartos e da mortalidade por qualquer causa. além disso, relacionou-se com uma maior expectativa de vida em comparação com o tratamento conservador (p < 0,001 para todos os desfechos). 

A redução de eventos foi similar com a cirurgia de revascularização (HR 0,64, IC 95% 0,59 a 0.70; p < 0,001) quando comparada à angioplastia (HR 0,61; IC 95% 0,57 a 0,66; p < 0,001).

Conclusão

A revascularização em pacientes com cardiopatia isquêmica crônica e anatomia de alto risco melhora o prognóstico a longo prazo em comparação com o tratamento conservador. A anatomia coronariana deve ser considerada na hora do aconselhamento e tomada de decisão em relação à revascularização ou não de um paciente com síndrome coronariana crônica. 

Título original: Long-Term Clinical Outcomes Following Revascularization in High-Risk Coronary Anatomy Patients With Stable Ischemic Heart Disease.

Referência: Kevin R. Bainey et al. J Am Heart Assoc. 2021;10:e018104.  DOI: 10.1161/JAHA.120.018104.


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