A SAPIEN 3 Ultra reduz a incidência de leaks paravalvares?

Os leaks paravalvares após o implante percutâneo da valva aórtica (TAVI) tem sido historicamente associados com piores resultados clínicos. Inclusive os leaks de tipo leve mostraram não ser inocentes. 

SAPIEN 3 Ultra: ¿reduce la incidencia de leaks paravalvulares?

Este trabalho analisou a experiência do mundo real com a válvula cardíaca transcateter SAPIEN 3 Ultra nos Estados Unidos. 

A SAPIEN 3 Ultra é uma válvula cardíaca expansível com balão de nova geração com uma saia de PET externa desenhada especificamente para reduzir os leaks paravalvares. No entanto, os relatórios têm mostrado resultados clínicos e ecocardiográficos limitados da nova válvula. 

Vale mencionar que qualquer material extra agregado ao perímetro externo de anel pode selar as fugas, mas também pode tornar o dispositivo mais voluminoso e com maiores possibilidades de afetar o sistema de condução. 

Em tal sentido, o objetivo deste estudo foi comparar os resultados a curto prazo dos pacientes submetidos a implante percutâneo da valva aórtica com a SAPIEN 3 Ultra vs. a válvula SAPIEN 3 original (S3) em um grande registro de pacientes. 

Assim, 1.324 pacientes que foram submetidos a TAVI com a prótese Sapien 3 Ultra foram comparados com 32.982 que foram tratados com a Sapien 3 original. Finalmente ficaram 1.324 pares de pacientes similares em tudo, excetuando-se o dispositivo. 


Leia também: Carótida assintomática e deterioração cognitiva: qual o papel da intervenção?


No momento da alta hospitalar a taxa de leaks se reduziu significativamente com a S3 Ultra vs. a S3 (leaks leves 9% vs. 13,9% e leaks moderados a mais que moderados 0,1% vs. 0,4%; p < 0,001 para ambas as comparações).

O seguimento de 30 dias não mostrou diferenças em termos de mortalidade por qualquer causa (1,8% vs. 2,8%; p = 0,1), complicações vasculares maiores (1,1% vs. 1%; p = 0,84) ou necessidade de marca-passo definitivo (6,4% vs. 6,2%; p = 0,81).

Conclusão

Esta análise do registro TVT mostrou que a Sapien 3 Ultra reduz a incidência de leaks paravalvares em comparação com sua antecessora, a Sapien 3, graças ao novo design da saia externa. Dita modificação não incidiu negativamente no resto dos eventos avaliados. 

Título original: Real-World Experience With the SAPIEN 3 Ultra Transcatheter Heart Valve: A Propensity-Matched Analysis From the United States.

Referencia: Tamim M. Nazif et al. Circ Cardiovasc Interv. 2021 Aug 26;CIRCINTERVENTIONS121010543. Online ahead of print. doi: 10.1161/CIRCINTERVENTIONS.121.010543. 


Subscreva-se a nossa newsletter semanal

Receba resumos com os últimos artigos científicos

Mais artigos deste autor

Resultados hemodinâmicos do reparo borda a borda em insuficiência mitral degenerativa e funcional

O reparo mitral transcateter borda a borda (M-TEER) se consolidou como uma opção terapêutica para a valvopatia mitral. Entre as técnicas disponíveis, o M-TEER...

A durabilidade do TAVI com SAPIEN 3: dez anos de seguimento em pacientes com risco intermediário

A durabilidade das próteses biológicas transcateter utilizadas no TAVI continua sendo um dos principais interrogantes no que se refere à expansão dessa estratégia a...

Inflamação depois do TAVI: um objetivo terapêutico emergente?

Os distúrbios de condução e a necessidade de implante de marca-passo definitivo continuam sendo complicações frequentes após o TAVI, com uma incidência próxima de...

Obstrução coronariana no TAVI: um novo índice volumétrico a ser considerado

A obstrução coronariana durante o TAVI é uma complicação pouco frequente, mas potencialmente devastadora, especialmente em procedimentos valve-in-valve, em anatomias com seios de Valsalva...

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here

Artigos Relacionados

Congressos SOLACIspot_img

Artigos Recentes

Supera vs. Eluvia em lesões femorpoplíteas calcificadas com calcificação severa

A calcificação seveera continua sendo um dos principais preditores de reestenose e de necessidade de novas revascularizações após o tratamento endovascular da doença femoropoplítea....

É necessário usar o IVUS de forma rotineira na angioplastia do tronco da coronária esquerda?

A angioplastia do tronco da coronária esquerda não protegido é um procedimento de grande complexidade devido ao amplo território miocárdico em risco e às...

Registros Dual-Prep: aterectomia e IVL em calcificação coronariana severa

A calcificação coronariana severa continua sendo um dos cenários mais complexos da angioplastia coronariana. Embora a aterectomia rotacional (AR) ou orbital e a litotripsia...