ISCHEMIA: A anatomia e não a função é o marcador do prognóstico

O estudo ISCHEMIA continua gerando novidades científicas. Este trabalho em pacientes com doença coronariana estável já tinha mostrado (para nossa surpresa) que a magnitude isquêmica não predizia mortalidade em 4 anos. 

ISCHEMIA: La anatomía y no la función es la que marca el pronóstico

Agora, esta nova análise propõe que a severidade anatômica pode, esta sim, predizer eventos. No entanto (e uma vez mais causando-nos surpresa) mudar essa severidade com angioplastia não altera o prognóstico em desfechos duros como morte ou infarto (e estamos falando de 4 anos de seguimento). 

Talvez somente no subgrupo de maior severidade anatômica a angioplastia tenha seu lugar podendo diminuir em algo a morte e os infartos. 

Em total foram incluídos 5179 pacientes com isquemia moderada a severa randomizados a uma estratégia invasiva inicial vs. uma estratégia conservadora. Um laboratório independente e cego interpretou a extensão e severidade da doença coronariana na tomografia. 

Ao comparar os pacientes sem isquemia ou com isquemia leve vs. aqueles com isquemia moderada ou severa não se observou um aumento da mortalidade neste último grupo (isquemia moderada 0,89, IC 95%: 0,61 a 1,30 e isquemia severa HR 0,83, IC 95%: O,57 a 1,21; p = 0,33).

A taxa de infartos não fatais se incrementou com a severidade da isquemia, embora isso seja apenas uma tendência que se torna não significativa ao ajustar todas as variáveis. 


Leia também: A evolução dos dispositivos também impacta no Valve in Valve.


Isso é muito diferente do que foi observado com a importância da doença coronariana, já que quando foram comparados os extremos (sem doença ou com doença leve vs. doença moderada ou severa) a mortalidade praticamente se triplicou (HR 2,72, IC 95%, 1,06 a 6,98) e os infartos praticamente se quadruplicaram (HR 3,78, IC 95%: 1,63 a 8,78).

A magnitude da isquemia não foi capaz de selecionar os pacientes que poderiam se beneficiar da revascularização. Ao contrário, aqueles que apresentavam doença anatômica mais severa (n = 659) e foram submetidos a revascularização mostraram uma diminuição da morte cardiovascular e dos infartos em 4 anos de seguimento (diferença 6,3%, IC 95%: 0,2% a 12,4%). Observou-se diferença somente em morte cardiovascular, já que a morte por qualquer causa foi similar. 

Conclusão

A severidade da isquemia não se associou com um incremento do risco, diferentemente do que ocorreu com a anatomia, onde quanto maior a severidade da doença, maior o risco. 

A estratégia invasiva inicial não diminuiu os eventos em todo o espectro da severidade da magnitude isquêmica após 4 anos de seguimento. 

Título original: Outcomes in the ISCHEMIA Trial Based on Coronary Artery Disease and Ischemia Severity.

Referencia: Harmony R. Reynolds et al. Circulation. 2021 Sep 28;144(13):1024-1038. doi: 10.1161/CIRCULATIONAHA.120.049755+.


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