TCT 2021 | FAME 3: Surpresas em um estudo longamente esperado

A angioplastia não pôde demonstrar a não inferioridade em comparação com a cirurgia para tratar pacientes de três vasos. 

FAME 3: Sorpresas en un estudio largamente esperado

Neste trabalho cabaça a cabeça das duas estratégias de revascularização em pacientes com doença coronariana de 3 vasos, a angioplastia guiada por fluxo fracionado de reserva (FFR) não conseguiu alcançar a cirurgia de revascularização miocárdica na combinação de eventos adversos. 

O estudo FAME 3 foi apresentado durante as sessões científicas do TCT 2021 e além disso foi simultaneamente publicado no NEJM. Os pacientes tratados com angioplastia guiada por FFR tiveram uma maior taxa de morte por qualquer causa, infarto, AVC ou revascularização repetida em comparação com a cirurgia. 

Os desfechos combinados ao serem analisados de maneira individual não mostraram claras vantagens a favor de nenhuma estratégia. Somente os AVCs foram numericamente maiores com a angioplastia, algo não significativo e que está contra a evidência prévia. 

Os pacientes com Syntax Score inferior a 23 se beneficiaram com a angioplastia, mas esta análise de subgrupos é somente geradora de hipóteses. 

Os resultados são do seguimento de um ano, mas como a revascularização repetida está incluída nos desfechos é provável que com o temo o resultado se torne mais consistente. 

Leia também: Fibrilação atrial e demência: que anticoagulante apresenta menos risco?

O estudo FAME 3 incluiu 1500 pacientes com doença coronariana de 3 vasos randomizados a angioplastia guiada por FFR ou cirurgia. Todos os pacientes tinham angina ou evidência de isquemia e eram bons candidatos para as duas estratégias. A lesão do tronco da coronária esquerda foi um critério de exclusão do estudo. 

O ponto de corte de FFR utilizado foi o clássico 0,8 e utilizou-se o stent eluidor e zotarolimus Resolute Integrity. 

Após um ano de seguimento, a taxa do desfecho combinado foi 10,6% para a angioplastia e 6,9% para cirurgia (HR 1,5; IC 95% 1,1 a 2,2).

Leia também: AFIRE Trial: Fibrilação atrial e angioplastia: qual é a terapia ideal?

O risco de sangramento maior, arritmias e injúria renal aguda foi mais baixo com a angioplastia. 

Se consideramos somente o grupo com baixo Syntax Score, o resultado é de 5,5% para angioplastia vs. 8,6% para a cirurgia, embora já tenhamos nos referidos à limitação desta análise. 

Título original: Fractional flow reserve-guided PCI as compared with coronary bypass surgery.

Referência: Fearon WF et al. N Engl J Med 2021; Epub ahead of print y presentado simultáneamente en TCT 2021. doi: 10.1056/NEJMoa2112299.


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