Qual a utilidade do IVUS nas angioplastias dos membros inferiores?

A doença vascular periférica está em aumento e a angioplastia periférica (ATP) é na atualidade o primeiro tratamento para a maioria dos pacientes. 

¿Es útil el IVUS en las angioplastias de los miembros inferiores?

A utilização do IVUS no território coronariano demonstrou um grande benefício, especialmente nas angioplastias do tronco da coronária esquerda e nas angioplastias complexas, diminuindo a mortalidade e a reestenose, mas no território dos membros inferiores dispomos de pouca informação (embora a pouca informação de que dispomos seja alentadora) no que se refere a seus resultados. 

Fez-se uma análise de 85.649 pacientes submetidos a ATP no Japão. Dentre eles, 50.925 (59,5%) foram realizadas com IVUS. 

O desfecho primário (DP) foi amputação maior ou menor em 12 meses após o procedimento. 

A idade média foi de 74 anos e mais de 70% dos pacientes eram homens. Aqueles nos quais se utilizou IVUS apresentavam mais comorbidades, demência, internações e foram usados mais dispositivos (stents, DEB e aterótomos), motivo pelo qual foi feito um propensity score match para homogeneizar os grupos, ficando 31.534 pacientes em cada grupo.

Leia também: Baixo fluxo e estenose aórtica: podemos avaliar de forma invasiva?

O DP foi favorável ao grupo no qual se utilizou IVUS (6,9% vs. 9,3%HR, 0,80 [95% CI, 0,72–0,89] p < 0,001). Além disso, esta população também apresentou menor necessidade de cirurgia y by-pass (2,5% vs. 4,9% HR, 0,51[95% CI, 0,44–0,60] p < 0,001) e de stent graft em comparação com o grupo no qual não se utilizou IVUS. Por outro lado, apresentaram mais reintervenções e readimissões, sem ter havido, no entanto, diferenças em termos de mortalidade. 

O custo total da internação foi menor no grupo IVUS. 

Conclusão

Neste estudo retrospectivo a angioplastia periférica guiada por IVUS se associou a menor risco de amputação em comparação com a angioplastia periférica não guiada por IVUS. Esses dados devem ser cuidadosamente interpretados já que o estudo tem a limitação de ser observacional de dados administrativos. São necessárias mais pesquisas para confirmar que a utilização de IVUS conduz a uma diminuição das amputações. 

Dr. Carlos Fava - Consejo Editorial SOLACI

Dr. Carlos Fava.
Membro do Conselho Editorial da SOLACI.org.

Título Original: Amputation After Endovascular Therapy With and Without Intravascular Ultrasound Guidance: A Nationwide Propensity Score–Matched Study.

Referência: Nao Setogawa, et al. Circ Cardiovasc Interv. 2023;16:e012451. DOI: 10.1161/CIRCINTERVENTIONS.122.012451.


Subscreva-se a nossa newsletter semanal

Receba resumos com os últimos artigos científicos

Mais artigos deste autor

Stents eluidores de fármacos em doença arterial periférica: quando utilizá-los?

Os stents periféricos eluidores de fármacos transformaram o tratamento da doença arterial periférica ao reduzir as taxas de reestenose e a necessidade de novas...

SCAI 2026 | Arterialização de veias profundas em pacientes com isquemia crítica de membros inferiores sem opção convencional

A isquemia crítica de membros inferiores (ICMI) representa um dos estágios mais avançados da doença arterial periférica (DAP). Em uma proporção significativa de pacientes,...

C-TRACT: terapia endovascular na síndrome pós-trombótica por obstrução ilíaca

A síndrome pós-trombótica (SPT) é uma das sequelas mais limitantes após uma trombose venosa profunda (TVP) proximal. Manifesta-se clinicamente como dor crônica, edema, alterações...

Embolização com coils de artérias segmentares como estratégia de proteção medular prévia à recuperação endovascular complexa de aorta toracoabdominal

A isquemia medular continua sendo uma das complicações mais devastadoras na recuperação de aneurismas toracoabdominais, com incidência de até 20-30% em reparações extensas. Nesse...

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here

Artigos Relacionados

Congressos SOLACIspot_img

Artigos Recentes

Obstrução coronariana no TAVI: um novo índice volumétrico a ser considerado

A obstrução coronariana durante o TAVI é uma complicação pouco frequente, mas potencialmente devastadora, especialmente em procedimentos valve-in-valve, em anatomias com seios de Valsalva...

Espaço do Fellow – Caso 2: Infarto Agudo do Miocárdio por Oclusão Simultânea de Duas Artérias Coronárias

Compartilhe sua experiência. Aprenda com especialistas. Cresça como intervencionista. Chega uma nova edição do Cantinho do Fellow, um espaço de intercâmbio acadêmico criado para que...

EARLY TAVR: impacto da idade nos resultados do TAVI precoce em pacientes assintomáticos

A estenose aórtica severa assintomática representa um desafio clínico cada vez mais frequente. Embora as diretrizes recomendem intervir quando aparecem sintomas ou deterioração da...