Network meta-analysis de imagens complementares (IVUS – OCT e angiografia convencional) para o implante de stent coronariano

As imagens complementares permitem discernir inúmeros cenários não visíveis com a angiografia convencional (ICA), tanto para a avaliação de diagnósticos diferenciais quanto para melhorar os resultados da angioplastia coronariana (PCI). As vantagens incluem a avaliação das características da placa, a carga de placa do vaso, as dissecções de borda no implante, o diâmetro do vaso, a correta aposição, entre outras. 

Apesar de o ultrassom intravascular (IVUS) ter sido introduzido há mais de 30 anos, seu respaldo por evidência se consolidou nos últimos anos por meio de múltiplos estudos randomizados. A tomografia de coerência ótica (OCT) melhorou a resolução espacial do IVUS, alcançando 10-20 μm (10 vezes mais que o IVUS – ≈150 μm), o que permitiu uma melhora na resolução. Contudo, dito avanço na qualidade da imagem ainda não foi demonstrado de maneira cabal nos estudos. 

O objetivo do estudo apresentado por D. Giacoppo e D. Capodanno foi avaliar as modalidades de guia para a angioplastia coronariana, seja com ICA, seja guiada por IVUS ou guiada por OCT, mediante uma network meta-analysis (frequentista e bayesiana).

Os trabalhos selecionados incluíam a necessidade de ter pacientes para realizar PCI (com DES, em qualquer cenário clínico), randomizados a algum dos ramos avaliados (ICA, IVUS e OCT) e com um seguimento superior a 6 meses. Os desfechos primários foram a revascularização do vaso alvo (TLR) e a ocorrência de infarto agudo do miocárdio (IAM). Já os desfechos secundários incluíram a revascularização guiada por isquemia, IAM do vaso alvo, mortalidade por todas as causas e mortalidade cardíaca, trombose do stent e MACE. 

Leia Também: Tratamento borda a borda no choque cardiogênico.

Foram incluídos 24 estudos randomizados (15.489 pacientes: IVUS vs. ICA, 46,4%, 7189 pacientes; OCT vs. ICA, 32,1%, 4976 pacientes; OCT vs. IVUS, 21,4%, 3324 pacientes), 16 ensaios foram multicêntricos e 16 dos trabalhos incluídos foram exclusivos da Ásia. A idade média dos pacientes foi de 64,4 anos, a participação de pacientes do sexo feminino foi de 25,9% e a prevalência de diabetes variou entre 13% e 100% (média de 33,5%). Em geral, foram excluídos os pacientes com bifurcações e doença do tronco da coronária esquerda.

No tocante ao desfecho primário (TLR), o IVUS se associou com uma redução na revascularização do vaso tratado em comparação com a ICA (OR, 0,69 [IC de 95%, 0,54–0,87]), ao passo que no caso da OCT vs. ICA (OR, 0,83 [IC de 95%, 0,63–1,09]) e OCT vs. IVUS (OR, 1,21 [IC de 95%, 0,88–1,66]) não mostraram diferenças significativas. Além disso, o IVUS mostrou a maior probabilidade de ser categorizado como a melhor estratégia (rank first: 87,4%). Os resultados mostraram consistência ao realizar a análise bayesiana. 

Leia Também: Revascularização recorrente no período de 10 anos após o tratamento de reestenose intrastent de DES.

Com relação ao desfecho coprincipal de IAM, não houve diferenças significativas entre as estratégias, com uma tendência a favor da OCT (modelo frequentista e bayesiano). Ao avaliar os desfechos secundários, observou-se uma redução na TLR guiada por isquemia a favor do IVUS vs. ICA. Ao avaliar a mortalidade segundo a análise frequentista, a angioplastia guiada por IVUS se associou com uma redução da mortalidade por todas as causas, ao passo que a avaliar a mortalidade cardíaca, a redução foi significativa tanto com IVUS como com OCT. 

Conclusões

A análise realizada pelo grupo de Giacoppo et al. evidenciou que a PCI guiada por IVUS reduziu qualquer tipo de nova revascularização do vaso tratado em comparação com ICA. No entanto, ao avaliar a OCT, não foram observadas diferenças significativas. Cabe destacar que ao realizar uma análise bayesiana, o uso de imagens intravasculares não conseguiu encontrar diferenças em termos de IAM e de IAM do vaso tratado. 

Dr. Omar Tupayachi

Dr. Omar Tupayachi.
Membro do Conselho Editorial da SOLACI.org.

Título Original: Coronary Angiography, Intravascular Ultrasound, and Optical Coherence Tomography in the Guidance of Percutaneous Coronary Intervention: A Systematic Review and Network Meta-Analysis.

Referência: Giacoppo D, Laudani C, Occhipinti G, Spagnolo M, Greco A, Rochira C, Agnello F, Landolina D, Mauro MS, Finocchiaro S, Mazzone P, Ammirabile N, Imbesi A, Raffo C, Buccheri S, Capodanno D. Coronary Angiography, Intravascular Ultrasound, and Optical Coherence Tomography in the Guidance of Percutaneous Coronary Intervention: A Systematic Review and Network Meta-Analysis. Circulation. 2024 Feb 12. doi: 10.1161/CIRCULATIONAHA.123.067583. Epub ahead of print. PMID: 38344859.


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